Título: Novas variedades permitem aumento da área cultivada
Autor: João Mathias
Fonte: Gazeta Mercantil, 22/11/2004, Panorama Setorial, p. A8

O Brasil está na vanguarda mundial da tecnologia de produção de soja em regiões tropicais. O espírito empreendedor, a dedicação e os esforços dos agentes do setor e o desenvolvimento de cultivares adaptáveis ao cerrado nacional têm sido importantes fatores de ganhos de produtividade, de rentabilidade e de competitividade da oleaginosa brasileira. A Embrapa Soja, uma das 40 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), já desenvolveu mais de 200 cultivares do grão.

Até a década de 70, o cultivo brasileiro da soja era concentrado em regiões de clima temperado e subtropical, cujas latitudes estavam próximas ou superiores aos 30°, típicas da região Sul do País. Nos anos posteriores, com a crescente demanda da indústria de refino de óleo e do mercado internacional, novas fronteiras das lavouras de soja foram desbravadas no País.

O avanço da soja pelo interior do Brasil foi impulsionado pelo desenvolvimento de germoplasma adaptado às condições tropicais. Nas últimas três décadas, a área cultivada com soja aumentou mais de oito vezes e o volume produzido, aproximadamente 30 vezes. Em 1970, menos de 2% da produção nacional de soja era colhida no Centro-Oeste. Em 1980, o percentual passou para 20% e, em 1990, para mais de 40%, segundo a Embrapa Soja. Mato Grosso, por sua vez, tornou-se líder nacional de produção e de produtividade do grão na última década.

"Os esforços em pesquisas realizados pela Embrapa viabilizaram a soja no Brasil central, o que fez do estado de Mato Grosso o primeiro produtor", conta o professor Fernando Homem de Melo, da Universidade de São Paulo (USP). Além da Embrapa, a Fundação Mato Grosso (Fundação MT), localizada em Rondonópolis, ao norte do estado, também foi importante no desenvolvimento de cultivares na região.

Além disso, a ocorrência de incentivos fiscais disponibilizados para a abertura de novas áreas de produção agrícola, como também para a aquisição de máquinas e construção de silos e armazéns, colaborou para o início do deslocamento do cultivo de soja para a região central brasileira. Outros fatores que estimularam o avanço da nova fronteira do grão foram o baixo valor da terra comparado ao da região Sul e o regime pluviométrico altamente favorável aos cultivos de verão, de acordo com a Embrapa Soja.

Adversidades climáticas

Apesar do empenho dos agricultores e dos institutos de pesquisas na busca pela melhor produtividade do grão, as condições climáticas exercem papel fundamental no desempenho da agricultura. O volume recorde esperado para a produção de soja, na safra 2003/04, foi abortado pelas adversidades do clima. Com as intempéries no período da colheita, o volume da oleaginosa colhido caiu para 49,77 milhões de toneladas, abaixo dos 52,017 milhões de toneladas somados na safra 2002/03.

Em projeção divulgada no segundo levantamento da Conab, realizado em dezembro de 2003, o volume de soja indicado era de 58,76 milhões de toneladas. No entanto, a ocorrência simultânea de estiagem e de chuvas em excesso em diferentes áreas produtoras, além do avanço da doença "ferrugem asiática" nos campos brasileiros, refletiu em uma revisão para baixo em mais de 8 milhões de toneladas.

Para a safra 2004/05, a expectativa é de retomada na produção para um volume entre 59,518 milhões de toneladas e 60,808 milhões, de acordo com o primeiro levantamento de intenção de plantio da Conab, realizado em outubro de 2004. A soja lidera a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas do Brasil, com uma participação próxima a 46% de um total previsto de mais de 130 milhões de toneladas para a próxima safra.