Título: O consumo de remédios é o maior em 4 anos
Autor: Iolanda Nascimento
Fonte: Gazeta Mercantil, 24/11/2004, Primeira Página, p. A1

Vendas crescem 9,7%; faturamento de US$ 6,6 bi. O reaquecimento da economia neste ano - conseqüência da redução no nível de desemprego e da melhoria no rendimento da população - deve elevar as vendas de medicamentos no Brasil para 1,64 bilhão de unidades, crescimento de 9,7% em comparação com 2003 e o maior em 4 anos. O número mostra reação da indústria farmacêutica, após seis anos de queda nas vendas, de acordo com estudo da Lafis - Consultoria, Análises Setoriais e de Empresas, de São Paulo, com base em dados públicos e das entidades do setor.

O estudo mostra que em 2004 as vendas devem retornar a um patamar similar ao de 2001, de 1,64 bilhão de unidades, segundo dados da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma). Em 2003, o volume de remédios comercializados caiu 7,2% ante o ano anterior, alcançando 1,49 bilhão de unidades, o menor em sete anos.

Entre janeiro e agosto deste ano, as vendas físicas já cresceram 11,2%, em relação a igual período do ano anterior. "É um aumento bastante significativo e o percentual somente não se mantém igual para o ano todo porque há uma queda sazonal no consumo de medicamentos no final do ano, que historicamente é menor por causa do calor", disse a gerente do departamento de análise setorial da Lafis, Célia Murad.

Mesmo com aumento controlado pelo governo (cuja média neste ano foi de 5,7% para os medicamentos de prescrição médica), a Lafis verificou elevação média de 5,9% nos preços dos remédios para este ano. A diferença deve-se aos medicamentos de venda livre, reajustados acima do estipulado para a outra categoria.

Por isso, a analista estima que o faturamento do setor poderá crescer 15,7% em reais - e atingir R$ 19,55 bilhões - e 19,1% em dólar - US$ 6,63 bilhões -, em relação a 2003. "É um crescimento real de 3%, considerando-se um IGP-DI de 12,3%." Se confirmado, este será o melhor faturamento em dólar do setor desde 2001.

Neste ano, a indústria farmacêutica sofreu menos com custos, especialmente por causa do câmbio mais favorável para matérias-primas importadas. A exceção ficou com os insumos derivados do petróleo, pressionados com a alta nos preços.