Título: Bloco quer acesso a serviços
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Fonte: Gazeta Mercantil, 24/11/2004, Internacional, p. A10

É a moeda de troca para concessão em agricultura, diz novo comissário para Comércio. O novo representante do Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, incitou ontem seus colegas membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) a aumentarem os esforços, a fim de fechar um acordo sobre a liberação global do comércio. "É importante dar novo impulso e um renovado sentido de urgência ao nosso trabalho", disse ele, que na última segunda-feira assumiu o cargo na comissão executiva da UE, substituindo o francês Pascal Lamy.

Durante uma visita à sede da OMC em Genebra, Mandelson disse que os países em desenvolvimento devem abrir seus mercados para as empresas financeiras e provedoras de outros serviços, em troca de concessões agrícolas feitas pelos países ricos. "A negociação deve ser de mão dupla." Em entrevista publicada pelo Financial Times, disse estar interessado em negociar o acordo comercial com o Mercosul, mas que a prioridade é a OMC.

Um acordo fechado em julho para a Rodada de Doha da OMC contém linguagem pouco específica sobre comércio de produtos industrializados e serviços como dos setores de telecomunicações e bancário. O comércio não-agrícola responde pela maior parte do comércio global.

Uma conferência da OMC em Hong Kong, em dezembro de 2005, "precisará realizar um avanço crucial" em direção de um acordo final em 2006, disse Mandelson. "Creio que isso é possível, mas constitui um desafio."

O representante do Comércio acrescentou que está preocupado com o insucesso das conversações sobre tópicos não-agrícolas, que não conseguiram manter o passo com as discussões sobre comércio agrícola. "Nossa meta no próximo ano deverá ser a de trazer outras áreas de trabalho para o mesmo nível que a de agricultura."

Os países têm até maio de 2005 para apresentar ofertas de liberação de seus serviços industriais. "O que está sobre a mesa de negociações no momento é muito pouco", informou Mandelson.

Segundo a mandato da Rodada de Doha, os negociadores deverão prestar uma atenção especial aos interesses dos países mais pobres. "É essencial mostrar progressos tangíveis para os países em desenvolvimento, em especial para os mais pobres", disse Mandelson. "Mas a rodada também deve beneficiar outros participantes. O propósito da negociação multilateral é encontrar soluções convenientes para todos."

Países menores da OMC acusam os maiores, notadamente os do NG-5 do bloco europeu, Estados Unidos, Brasil, Austrália e Índia, de manter reuniões a portas fechadas para fazer acordos. Mandelson refutou essas críticas. "Não se trata de um círculo interno de países que tentam acordos entre si e simplesmente divulgam o resultado para o resto do mundo, como se fosse um fait accompli", disse o representante da UE, observando que o acordo de julho aprovado por todos , surgiu após conversações entre os cinco membros maiores da organização.

A OMC considerará um rascunho de uma série de medidas para melhorar o tranporte internacional de mercadorias por meio de aperfeiçoamento de cooperação entre as autoridades aduaneiras. Um novo comitê considerará maneiras de melhorar as regras aduaneiras, colocando um ponto final em atrasos desnecessários no movimento de produtos entre os membros da organização. Outras medidas sob consideração incluem limitar as cobranças sobre importações e exportações. A OMC tem 148 membros.

As indicações para diretor-geral da OMC começarão a ser feitas em 1º de dezembro, e acredita-se que Pascal Lamy, considera uma oferta.

"Não se deve presumir que teremos um candidato próprio, pois poderemos resolver, coletivamente, apoiar um candidato que não seja europeu", disse Mandelson.