Título: Irã cede e consegue evitar punição?
Autor: Jean Michel Stoulling
Fonte: Gazeta Mercantil, 25/11/2004, Energia, p. A-7

O Irã, que cedeu à pressão européia, suspendendo o enriquecimento de urânio, não deve ser punido pela Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA), que se reúne a partir de hoje em Viena, mas o caso pode ficar aberto devido ao ceticismo americano sobre as verdadeiras intenções dos iranianos.

Finalmente, na reunião do conselho de representantes, o Executivo da AIEA, os Estados Unidos apoiarão uma resolução da Alemanha, França e Grã-Bretanha, que afasta a possibilidade de apresentação de um recurso ao Conselho de Segurança da ONU e eventuais sanções contra o Irã. "Os americanos são pragmáticos, reconhecendo que o texto dos três europeus (Alemanha, França e Grã-Bretanha) é bem melhor e que não há nenhuma alternativa válida", declarou um diplomata ocidental. Mas, este mesmo diplomata considerou que os EUA continuam convencidos da "má fé" de Teerã e de sua vontade de possuir armas nucleares.

A república islâmica desativou a ameaça de um recurso diante das Nações Unidas em Nova York ao anunciar, segunda-feira passada, ter suspendido todas as suas atividades de enriquecimento depois de um acordo de última hora com Berlim, Londres e Paris, que se comprometem a cooperação múltipla. Na segunda-feira, o diretor da AIEA, Mohamed El-Baradei avaliou que a suspensão havia começado bem.

O Irã afirma que a suspensão só pode ser provisória e que não desmantelará seu programa nuclear, mas "está disposto a dar todas as garantias de que suas atividades de enriquecimento jamais servirão para fins militares", declarou o principal negociador iraniano, Hossein Mussavian durante visita a Pequim.

O chefe da diplomacia americana, Colin Powell, falou anteontem em uma retomada, "quando chegar o momento", das relações com o Irã.