Título: Inflação medida pelo IGP-M quase dobra em novembro
Autor: Mônica Magnavita
Fonte: Gazeta Mercantil, 30/11/2004, Nacional, p. A4

O varejo e o atacado recebem forte impacto da alta do petróleo. A inflação de novembro medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) oscilou 0,82%, uma alta de 0,43 ponto percentual em relação ao resultado de outubro, de 0,39%. O aumento deste mês interrompe uma seqüência de quatro meses de taxas decrescentes e foi superior às projeções de analistas do mercado financeiro, que trabalhavam com uma oscilação de 0,79%, conforme do Banco Central com cerca de cem instituições financeiras. No ano, o IGP- M, que serve de referência para os reajustes dos contratos de energia elétrica e de aluguéis, acumulou alta de 11,59% e em 12 meses 12,28%. O índice também aponta a tendência de inflação e, em conseqüência, da taxa de juros.

O comportamento dos preços no varejo (IPC), e no atacado (IPA) influenciaram negativamente o resultado da inflação de novembro. O IPC saiu de 0,05% em outubro para 0,30% em novembro. O IPA ficou em 0,99% no mês, mais que o dobro do resultado de outubro, de 0,44%. A maior pressão no varejo veio do aumento do grupo Transportes. Em novembro, a variação foi de 1,51%, ante 0,32% do mês anterior.

O reajuste do preço da gasolina foi um dos principais responsáveis pela alta dos Transportes, já que saltou de 0,50% em outubro para 3,03% em novembro. A oscilação dos preços do álcool combustível também aumentou substancialmente de um mês para o outro, saindo de 2,45% em outubro para 9,56 % em novembro.

No IPA, que responde por 60% da composição do IGP-M, calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, ocorreu o mesmo. A variação dos preços dos combustíveis e lubrificantes para a produção subiu de 0,04% em outubro para 5,11% em novembro, a maior alta individual dentro do Índice de Preços por Atacado. As maiores altas ocorreram na variação de preços dos óleos combustíveis, que atingiram 10,15 % em novembro, depois de uma deflação de 3,40% em outubro; do álcool etílico hidratado, com aumento de 10,85 % ante os 5,02% do mês anterior; do óleo diesel, que subiu para 3,05 % (0,63% em outubro). O resultado também sofreu influência do aumento nos preços do querosene para motores, de 10,14 %, quase o dobro dos 5,56% do mês passado.O resultado do IPA-M foi influenciado, igualmente, pelos dois segmentos que compõem o índice, o de Bens Finais e o de Bens Intermediários, ambos com uma contribuição de 0,28 ponto percentual no IPA. Mas a taxa de variação de Bens Finais passou de -0,32% em outubro para 0,59% em novembro, efeito da alta de 0,91 ponto percentual dos preços dos alimentos in natura e dos combustíveis. O IPA industrial saiu de 1,31% em outubro para 1,87% em novembro. Já o IPA agrícola apresentou uma variação negativa de 1,50% este mês. No anterior, houve uma deflação de 1,98%. O INCC, índice que mede a variação de preços na construção civil, ficou em 0,94% em novembro. Em outubro, foi 0,95%.

Apesar da alta do índice geral de preços em novembro, os analistas de mercado reduziram a expectativa de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2005. De acordo com a última pesquisa Focus, feita pelo Banco Central e divulgada ontem, a nova projeção aponta para um acumulado de 5,9%. Há uma semana era de 5,8%. Ainda assim, o resultado ficou acima da meta de 5,1%, fixada pelo Banco Central.