Título: PIB cresce 5,3%; persistem receios...
Autor: Mônica Magnavita
Fonte: Gazeta Mercantil, 01/12/2004, Primeira Página, p. A1
O bom desempenho no trimestre deveu-se, em grande parte, ao crescimento da indústria. Os números foram comemorados no governo, embora estivessem dentro do previsto pelos analistas de mercado. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, disse que o crescimento este ano superou as estimativas iniciais do governo (a previsão oficial é de 4,6%), já que ficará acima dos 5%, mesmo que a economia permaneça estagnada no último trimestre, o que é pouco provável.
Os técnicos do Instituto de Pesquisa de Economia Aplicada (Ipea) também vão rever para cima a projeção de crescimento do PIB para o ano, atualmente em 4,6%. Segundo a economista Merida Herasme, o próximo número ficará acima de 5%. "Estamos esperando um resultado para o quarto trimestre do ano, com ajuste sazonal, mais fraco que o 1% de alta do terceiro", disse. Os cálculos com ajuste sazonal são relativos à comparação entre o quarto e terceiro trimestres de 2004.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, e sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada, trabalha com uma previsão de expansão entre 1% e 2% nos meses de outubro e dezembro de 2004, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Entre julho e setembro deste ano, os investimentos cresceram 6,7%, o melhor resultado apresentado desde 1994, ratificando a retomada iniciada no terceiro trimestre de 2003. Segundo Roberto Olinto, a taxa já vinha melhorando desde o ano passado, mas em 2004 o crescimento acelerado veio puxado pela expansão da construção civil, responsável por 60% do resultado. No ano, a Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 11,8%, e a construção civil, 7,4%.
A outra parcela que compõe o cálculo dos investimentos, a produção de máquinas e equipamentos, também aumentou. Segundo as contas feitas por Roberto Olinto, com base na pesquisa de Produção Industrial Mensal, a produção de máquinas, no ano, cresceu 21,5%, de tratores 27% e de automóveis e caminhões, 32,3%.
Com base nos últimos resultados do PIB, o departamento econômico do Bradesco vai reavaliar a projeção de crescimento para este ano e para 2005. "Vamos considerar a possibilidade de elevar as projeções. O viés para a de 2005 é de alta", disse Octávio de Barros, chefe do departamento econômico do Bradesco. As projeções atuais são de 4,5% para este ano e de 3,6% para 2005.
Apesar dos números positivos, o patamar atual de investimentos ainda não é suficiente para garantir o crescimento sustentável, segundo a avaliação do professor da Unicamp, Luciano Coutinho.
"O investimento induzido pelo crescimento já está ocorrendo, o que é um bom sinal. Mas os investimentos intensivos em capital ainda estão patinando", disse, referindo-se ao que está ocorrendo em setores como petroquímica e side-rurgia. "Tem muito anúncio, mas nada ainda saiu do papel".
Segundo Coutinho, além de apressar a implementação do projeto de Parcerias Público-Privadas (PPP), o governo "poderia estar à frente" em temas como a posição do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento ao setor privado, os "project finance" e os marcos regulatórios
A aceleração do terceiro trimestre deste ano foi puxada, em grande parte, pelo crescimento da produção industrial, que, após cinco trimestres seguidos de expansão, aumentou 2,8% entre julho e setembro deste ano, na comparação com o trimestre anterior.
Já o setor de Serviços cresceu, apenas, 0,7% e a atividade Agropecuária caiu 3,6%.
O resultado do PIB também revela que as famílias aumentaram seu consumo, no caso em 1,4% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre de 2004. Já o governo reduziu sua demanda, com uma variação negativa 0,2% no mesmo período. Neste tipo de comparação, as Exportações de Bens e Serviços aumentaram 1,5% e as Importações de Bens e Serviços 3,7%.
O crescimento do consumo das famílias, conforme Roberto Olinto, é um reflexo do aumento da demanda no mercado interno, motivada pela expansão da massa salarial, de 5,3% na mesma base de comparação.
No resultado acumulado no ano, em relação aos nove primeiros meses de 2003, a Indústria cresceu 6,3%, a Agropecuária 5,6%, e Serviços, 3,8%. Na Indústria, o destaque foi o setor de Transformação, com 7,4%. Os demais sub-setores também apresentaram taxas positivas: 5,9% na Construção Civil; 4,1% nos Serviços Industriais de Utilidade Pública e 2,1% na Extrativa Mineral. Em relação aos Serviços, os destaques foram os sub-setores de Comércio (8,1%) e Transporte (5,6%).
Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, a Indústria cresceu 7%, a Agropecuária 4,9% e Serviços 4,7%. Os três setores contribuíram para o Valor Adicionado a preços básicos, que cresceu 5,5% e os Impostos sobre Produtos 11,4%.
Com a revisão das contas nacionais referentes a 2003, o desempenho do PIB, que havia sido negativo (menos 0,2%) tornou-se positivo (0,5%). Segundo os técnicos do IBGE, o motivo dessa revisão foi a introdução de uma nova metodologia de cálculo, que passou a incluir os dados da Pesquisa Industrial Mensal.
Com isso, houve mudanças, principalmente nos dados da indústria de construção civil, extrativa mineral e de transformação.