Título: Para o ledi, há risco nos juros e no câmbio
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 01/12/2004, Nacional, p. A5

Uma análise do desempenho do PIB no terceiro trimestre realizada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) indica que o desempenho industrial destaca-se em primeiro lugar como componente da demanda. O setor cresceu 2,8% em relação ao segundo trimestre e 7%, em relação ao mesmo trimestre do ano passado, estimulado principalmente pelas exportações, que até então vinham sendo puxadas pelo agronegócio.

Já o comércio exterior de bens e serviços não teve no terceiro trimestre a mesma relevância para o formação da taxa de crescimento que teve em trimestres anteriores (leia matéria acima). Entre os bens industriais exportados destacam-se automóveis e aviões.

O segundo fator de dinamismo industrial foi a recuperação do segmento de construção, com o aumento das obras realizadas, graças às maiores facilidades do crédito e à parcial recuperação da renda dos trabalhadores. Na comparação entre o terceiro trimestre deste ano com o mesmo período de 2003, a construção foi o segmento que mais cresceu.

O terceiro componente dinâmico da demanda, para o crescimento do PIB, foi a reativação do consumo interno, especialmente de bens duráveis industriais, dada a maior confiança que o consumidor brasileiro passou a ter na estabilidade da renda e do emprego a melhoria no acesso ao crédito.

Investimento

O elevado crescimento da formação bruta de capital fixo e o baixo crescimento (relativamente a períodos anteriores) das exportações de bens e serviços são dois outros resultados destacados pelo Iedi.

O primeiro (formação bruta de capital fixo) reflete a maior atividade do setor de construção civil e, ainda, a recuperação do atraso de investimentos acumulados desde o ano da crise de energia (2001). O segundo (exportação de bens e serviços) ilustra como a fonte externa de dinamismo cedeu lugar para os componentes internos que já lideram o crescimento brasileiro.

Duas ameaças

De acordo com a avaliação do Iedi, são duas as ameaças à continuidade do crescimento: a valorização do real e a elevação das taxas de juros, fatores capazes de abalar dois dos pilares do crescimento do setor líder da economia, a indústria. A apreciação do real, porque é capaz de deprimir as vendas externas especialmente de produtos manufaturados; e a elevação da taxa de juros, porque pode levar à queda da demanda de crédito e, assim, deprimir a demanda de bens duráveis.

kicker: Juros elevados e apreciação do real são obstáculos à continuidade do crescimento