Título: O governo francês apóia a inclusão
Autor: Gisele Teixeira
Fonte: Gazeta Mercantil, 29/11/2004, Internacional, p. A-10

Para o governo da França, a entrada da Turquia na União Européia (UE) é só uma questão de tempo. "Se fecharmos as portas agora, o equilíbrio da região, já é frágil, pode desmoronar", afirma uma autoridade da chancelaria francesa. Além disso, diplomatas dizem que depois de o Conselho Europeu dar aos turcos o estatuto de candidato à adesão, em 1999, e concluírem em 2002 que a negociação de adesão começaria se a Comissão Européia apresentasse parecer favorável - o que ocorreu em outubro passado -, "só cabe à UE ser coerente com os seus compromissos e lançar o processo de negociação", sob pena de perder credibilidade dentro e fora do bloco.

Contudo, acrescentam que a dimensão da Turquia implica que o processo seja rigoroso e siga um calendário realista. Nos últimos anos, a Turquia fez várias reformas para convencer os europeus a negociar sua adesão. Mais de um quinto da Constituição foi emendada, com mais "harmonização" com a UE. Dentre as mudanças estão a abolição da pena de morte e o cumprimento do cardápio do Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo francês, no entanto, admite que muita coisa não saiu do papel. "A luta contra a tortura ainda não foi vencida e grande parte dos juízes não utiliza as novas leis. Mas há avanços e vamos continuar pressionando", diz um diplomata.

A Alemanha, maior economia da UE e um de seus maiores financiadores, apoia a entrada da Turquia, o que pode pesar bastante na decisão a ser tomada em dezembro sobre o tema. Na última sexta-feira, o chanceler Gerhard Schröeder disse que em dezembro a UE tem uma chance histórica de construir uma "ponte para o mundo islâmico". Não é história, idioma ou religião que faz a Europa única, disse, "mas princípios políticos e atitudes culturais".(G.T.)