Título: Pressão de insumos faz IGP-M superar previsão e subir 1,22%
Autor: Cristina Borges Guimarães
Fonte: Gazeta Mercantil, 31/08/2004, Nacional, p. A-4

Preços no atacado sobem 1,42%, enquanto o IPC aumenta 0,8%. O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) superou as expectativas e subiu 1,22% em agosto, de acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador do mês representa desaceleração de 0,09 ponto percentual (p.p.) em relação ao índice de julho (1,31%). A maior parte dos analistas esperava um índice inferior a 1% em agosto. No ano, o IGP-M acumula alta de 9,49%, e registra elevação de 12,44% nos últimos 12 meses.

De acordo com o economista da LCA Consultores, Ricardo Denadai, a principal surpresa foi a alta acima do previsto dos preços no atacado. "Houve um forte aumento dos bens intermediários, principalmente no item ferro, aço e derivados, que subiu 8,19%", disse Denadai. Segundo ele, outros insumos de produção pressionaram a inflação em agosto: papel e papelão (2,9%), madeira (2,19%) e borracha (1,74%). A LCA previa alta de 0,80% no IGP-M de agosto.

Para Denadai, o aumento de custos, via alta nos preços de insumos importantes da cadeia produtiva, devem fazer os bens de consumo subirem no atacado já em setembro. Tanto no atacado como no varejo, a alta dos preços de bens de consumo duráveis, como automóveis, deve chegar em outubro, segundo o economista.

Em agosto, o leite `in natura¿ continuou figurando entre os itens de maior influência positiva no atacado. Entretanto, este mês os preços subiram menos: 5,02%, frente à alta de 7,73% registrada em julho. No varejo, as pressões vieram do tomate, que subiu 25,93%, e da tarifa de eletricidade residencial, que aumentou 2,44%. Já entre as maiores influências de baixa, no atacado, figura a soja, com deflação de 13,25%; e no varejo, a manga, com variação negativa de 32,21%.

O recuo da inflação observado pelo comportamento do índice geral é conseqüência da evolução de preços captada pelo Índice de Preços por Atacado (IPA-M), que passou de uma alta de 1,58% para 1,42% em agosto; pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), que registrou elevação de 0,80% frente ao aumento de 0,67% de julho; e pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), que aumentou 0,90% no período, ante a alta de 1,12% do mês anterior, marcando uma desaceleração de 0,22 p.p. Esse movimento foi influenciado pelo cimento, que registrou deflação de 0,31% este mês.

No atacado, a alta dos preços dos bens de consumo acelerou de 0,6% para 1,53%, enquanto os preços dos bens de produção desaceleraram, aumentando 1,37%, ante 2,07%. Também desacelerou o ritmo da inflação dos produtos agrícolas, de 0,61% para 0,48%, e nos produtos industriais, de 1,94% para 1,77%.

No varejo, os grupos alimentação e transportes foram os que pressionaram com maior intensidade o índice médio, com altas de 1,26% e 1,06%, respectivamente. Habitação subiu 0,73%; educação, leitura e recreação aumentou 0,57%; saúde e cuidados pessoais avançou 0,33%; despesas diversas registrou elevação de 0,17% e vestuário teve alta de 0,06%.