Título: PSD surge com 32 deputados
Autor: Iunes, Ivan
Fonte: Correio Braziliense, 14/04/2011, Política, p. 8
Legenda lançada ontem ostenta a oitava maior bancada e reduz força do DEM e do PP
Com a futura bancada liberada de antemão para se alinhar ao governo, o PSD teve a certidão de nascimento simbólica lavrada ontem, em evento na Câmara, com a assinatura de 32 deputados federais, dois senadores e um governador. A sigla servirá de abrigo para insatisfeitos em sua legenda ou para os ansiosos em pular o muro que separa oposição e governo. A meta do partido é conseguir chegar a 50 deputados federais até a eleição da executiva nacional, em julho.
A estratégia traçada pela provável presidente do partido, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), e o principal articulador, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, é adotar uma postura próxima à adotada hoje pelo PTB ¿ que reúne oposicionistas e governistas, mas não tem posição oficial. ¿Estamos à disposição da presidente Dilma Rousseff para ajudá-la. Queremos que o seu governo dê certo, mas isso não significa estarmos atrelados. Campanha é campanha, governo é governo¿, anunciou Kassab.
Até julho, o partido pretende estar com o programa elaborado e recolhidas as quase 500 mil assinaturas necessárias para o registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral. Até lá, Kassab e Kátia Abreu tentarão atrair outros nomes da política, de olho nas eleições municipais de 2012. O deputado federal Reinhold Stephanes (PMDB-PR) e o ex-deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR) estão no topo da lista de negociações, ao lado do governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (DEM). ¿Hoje, apostaria que o Colombo vem¿, disse Kátia.
Qualquer discurso sobre fusões com outras legendas foi evitado pelas lideranças do PSD. Com a entrada do partido em cena, o desequilíbrio entre as bancadas de governo e oposição, especialmente na Câmara, será acentuado. Antes quarta bancada, o DEM cairá para a sexta posição, depois de perder onze deputados. O PSD será a oitava bancada na Câmara e pode virar a sétima caso quatro parlamentares atualmente licenciados retornem ao Congresso.
Termômetro O partido só deve traçar objetivos para as eleições de 2014 depois do pleito municipal de 2012. A ideia é que o número de prefeitos eleitos sirva como termômetro. ¿2012 vai basear nosso plano de crescimento para o futuro. Se tivermos um bom desempenho, poderemos requisitar a cabeça de chapa na maioria das eleições majoritárias¿, planeja Kátia. Assim como era previsto inicialmente, a criação da legenda atingiu em cheio o DEM, mas foi surpresa a alta adesão de parlamentares do PP, seis inicialmente.
Pela contagem inicial, o PSD terá bancadas fortes em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e na Bahia. Ainda filiaram-se à legenda os vice-governadores do Rio Grande do Norte, Robinson Faria; do Mato Grosso, Chico Daltro; da Paraíba, Rômulo Gouveia; de São Paulo, Guilherme Afif Domingos; e da Bahia, Otto Alencar. O vice baiano foi o responsável, inclusive, por ler o manifesto de criação do partido.
O texto defendeu as liberdades individuais, industrial, dos profissionais liberais e direcionou frases para sindicatos, mercado financeiro e a classe média, com o mote Desenvolvimento com liberdade e justiça social. ¿Sem nunca ser a favor ou contra o governo, mas a favor das ideias¿, prometeu Kassab.
MPs opõem senadores O governo escalou a tropa de choque para minar proposta que modifica o rito das Medidas Provisórias. Insatisfeitos com o monopólio do tempo de vigência das MPs na Câmara, senadores protestaram contra a aprovação das medidas a toque de caixa. O Planalto teme que qualquer alteração possa engessar as iniciativas do Executivo. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), elaborou projeto alterando a tramitação das MPs. Ontem, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), relator da proposta, apresentou parecer na Comissão de Constituição e Justiça. Antes mesmo de o mineiro encerrar a leitura, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), pediu vista e adiou a discussão. ¿Aqueles que se opuseram a essa medida estão assinando atestado de submissão¿, disse Aécio.
Texto final da reforma até 20 de maio O relator das propostas de reforma política, senador Francisco Dornelles (PP-RJ), terá até 20 de maio para apresentar o texto final indicando mudanças na legislação para adaptar as regras eleitorais ao atual cenário político. Dornelles e os integrantes da Comissão de Reforma Política do Senado fizeram ontem a entrega simbólica do sumário executivo, contendo 15 itens, ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).
O presidente pretende negociar com os líderes para que o texto seja submetido diretamente ao plenário, sem necessidade de análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os principais pontos da reforma são o financiamento público de campanha, o voto proporcional em lista fechada e o fim de reeleição para presidente.