Título: Fiocca confia no crescimento suste
Autor: Gabriela Valente/InvestNews
Fonte: Gazeta Mercantil, 03/12/2004, Nacional, p. A-4

Demian Fiocca, novo vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), era secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, governador alterno do Brasil no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e diretor pelo Brasil da Corporación Andina de Fomento. Antes de ingressar no governo, era economista chefe e assessor da presidência do grupo Telefônica no Brasil. Dirigiu também a área de macroeconomia do Banco HSBC no Brasil, também como economista chefe. Foi editorialista de economia do jornal Folha de S.Paulo e pesquisador do Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo. É mestre em economia pela Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro "A oferta de moeda na macroeconomia keynesiana" (Editora Paz e Terra, 2000).

Em artigo publicado na revista "Desafios do Desenvolvimento", do Ipea e do Pnud, edição de outubro, o novo vice-presidente do BNDES expressa as suas opiniões sobre a conjuntura econômica brasileira atual. Eis alguns trechos do artigo:

"Nas últimas duas décadas, eventos adversos e alguns equívocos de política econômica impediram que o país crescesse de maneira continuada. Mas esse histórico não resultou da incapacidade de crescer em períodos de normalidade. A média desse período, de cerca de 2,5% ao ano, é um resultado aritmético no qual se diluem anos com crescimento forte, em uma sucessão muito freqüente de crises.

"Hoje o país está crescendo com inflação sob controle, queda da dívida pública e sem deterioração das contas externas.

"A dívida pública saltou de 30% do PIB em 1994 para um pico de 61,7%, na crise de 2002. Agora está caindo de maneira consistente. A dívida externa/exportações alcançou um pico de 500% em 1999 e agora está abaixo de 300%.

"Como resultado de uma política externa mais pró-ativa e dos avanços de produtividade do setor privado, o país está aproveitando excelentemente as oportunidades existentes no atual ambiente de crescimento do comércio mundial. Nos últimos 12 meses, o superávit em contas correntes está próximo de US$ 10 bilhões, quase 2% do PIB.

"Esse superávit traz enorme conforto quando se trata de avaliar o potencial de continuidade do crescimento. Ele indica que, se a atual trajetória de elevação dos investimentos colocar pressão sobre a oferta interna de bens de capital e de insumos, o Brasil pode aumentar a importação desses itens sem que se reproduzam os níveis preocupantes de déficit registrados alguns anos atrás( ...)

"Das várias ações de governo que contribuem para dar sustentação ao crescimento, pode destacar-se quatro: as reformas microeconômicas, que contribuem para elevar a eficiência; a melhora do ambiente de negócios, com as iniciativas para aperfeiçoar o marco regulatório; a redução das despesas de funcionamento da máquina pública, para reduzir custeio em favor do aumento de investimentos; e a busca de novos instrumentos para elevar os investimentos privados, como as PPP (parcerias público-privadas).

"(....) Com melhores fundamentos fiscais e externos, estabilidade institucional e democrática, menor probabilidade de crises, e medidas para elevar a eficiência e os investimentos, não há porque supor que o Brasil não possa crescer de maneira sustentável. O país já está nessa rota".