Título: Nova diretoria deverá manter a linha desenvolvimentista
Autor: Gabriela Valente/InvestNews
Fonte: Gazeta Mercantil, 03/12/2004, Nacional, p. A-4

Guido Mantega leva consigo parte de sua equipe no Planejamento. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, apresentou ontem a nova diretoria da instituição. Demian Fiocca, que era o chefe da assessoria econômica do Ministério do Planejamento na gestão de Mantega, será o novo vice-presidente do banco (leia mais sobre Fiocca nesta página).

Fiocca coordenou a elaboração e as negociações do projeto de Parcerias Público-Privadas (PPP) no Congresso Nacional. Foi secretário de assuntos internacionais do Ministério e revisou os empréstimos do Brasil junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ao Banco Mundial. Também foi executivo dos grupos Telefônica e HSBC.

A diretoria tem outros cinco nomes confirmados, embora seus cargos ainda não tenham sido definidos. Ao todo, há 12 áreas de atuação, mas Mantega não afirmou se novas pessoas serão chamadas para preencher os outros sete departamentos.

Entre os diretores chamados, está o economista e professor Antonio Barros de Castro. Além de ter sido presidente do próprio BNDES, Castro é ex-pesquisador das Nações Unidas na América Latina e lecionou no Chile, Inglaterra, Califórnia, Oxford e Columbia. Também foi consultor da Eletrobrás e Petrobras.

Outro integrante da equipe é Armando Mariante de Carvalho, presidente do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e já foi superintendente do BNDESPar na área de projetos. Os demais diretores anunciados hoje são Carlos Kawall, que nos últimos oito anos foi economista-chefe do Citigroup no Brasil; Maurício Borges Lemos e Roberto Timótheo da Costa, sendo que os dois últimos foram mantidos no quadro de diretores do banco.

"Banco de desenvolvimento"

Guido Mantega afirmou que o BNDES não é um banco comercial, e sim de investimentos. "O BNDES continuará sendo um banco de desenvolvimento, mas com operações mais rápidas". Segundo Mantega, o banco procurará tornar as suas operações mais ágeis na liberação de créditos. "Vamos desenvolver mecanismos para que isso possa se tornar realidade", afirmou, depois de apresentar a nova diretoria ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.

Mantega informou que mudanças na instituição só deverão ocorrer nos próximos dias, já que ainda não dispõe de um quadro completo da situação. "Estamos tomando pé. Nas próximas semanas, quando tivermos um quadro completo da situação do banco, poderemos dar mais detalhes sobre o que vai ser mudado ou mantido". De acordo com Mantega, o BNDES terá papel fundamental no financiamento dos projetos de parceria público-privada. "O banco tem R$ 15 bilhões disponíveis para infra-estrutura. À medida que tivermos a aprovação da lei das PPP e a constituição das sociedades de propósitos específicos que vão realizar esses investimentos, o BNDES estará com as portas abertas para propostas de financiamento desses projetos", ressaltou.

Indagado sobre a participação do BNDES no processo em que as companhias Gol e Tam manifestam interesse na compra da Varig, Mantega disse que ainda não foi procurado pelas empresas, mas que está aberto para discutir o assunto quando a ocasião se apresentar.