Título: Equador pede status de país associado
Autor: Ana Paula Machado e Daniele Carvalho
Fonte: Gazeta Mercantil, 03/12/2004, Internacional, p. A-9

O Equador pediu na última quarta-feira a sua inclusão no conjunto de países associados ao Mercosul. Hoje, Chile, Bolívia e Peru já têm o status de associado. Segundo, Carlos Márcio Cozendey, da Divisão do Mercosul, o pedido está sendo analisado por uma comissão do bloco e será confirmado durante a Reunião do Conselho do Mercado Comum do Mercosul, neste mês em Belo Horizonte. A Venezuela também deverá integrar o conjunto de países associados ao bloco em dezembro.

"Além da confirmação dos novos associados, durante a reunião também será protocolizado o acordo de preferências tarifárias com a Índia e os países africanos, integrantes do SACU (a união aduaneira do sul da África, que inclui a África do Sul)", disse Cozendey. O diplomata adiantou, ainda, que na lista de produtos a ser comercializados constarão cerca de 2,1 mil itens sendo que com a Índia o Brasil deverá propor 900 produtos. "Os mais variados setores serão contemplados e as resoluções serão anunciadas na reunião", disse.

Durante a reunião também será discutida, pelo Conselho do Mercado Comum (CMC), a adoção de um fundo para financiar os investimentos necessários para a consolidação do bloco sul-americano. O secretário geral do Mercosul, Reginaldo Arcuri, afirmou que foi formado um grupo de alto nível para proporcionar o avanço nas negociações entre os países. "Pela primeira vez será discutida essa questão. Além disso, serão tratadas as negociações comerciais com a Comunidade Andina e com a Coréia do Sul", disse Arcuri.

Após o acordo comercial firmado com o Chile em abril deste ano, que tende a se converter na primeira plataforma sul-coreana na América Latina, os governos do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e da República da Coréia começarão a negociar um tratado de livre comércio a partir de 2005. A meta é estabelecer um acordo amplo com base em preferências tarifárias e tratamento diferenciado para investi-mentos em algumas áreas, como o setor de serviços. No próximo ano, os governos começarão a discutir as tarifas.

No encontro, que acontecerá entre os dias 15 e 17 de dezembro em Belo Horizonte e Ouro Preto (MG), participarão delegações de 13 países, incluindo a Índia e os integrantes do bloco sul- africano. Estão programadas reuniões paralelas de empresários do Mercosul e parla-mentares dos países. "É um grande avanço essa discussão sobre a criação do Parlamento do bloco, que será muito importante para a consolidação do Mercosul", acrescentou Arcuri. O presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), José Botafogo Gonçalves, rebateu ontem as críticas de que o Brasil estaria sendo prejudicado dentro do Mercosul. Segundoele, o país não deixou de negociar nenhum importante acordo de venda com outros parceiros comerciais por conta de pressões da Argentina.