Título: Renovação das finanças da empresa
Autor: Cláudio Augusto Bonomi
Fonte: Gazeta Mercantil, 07/12/2004, Opinião, p. A-3
No mundo corporativo moderno o diretor financeiro agora é "co-piloto do avião". É urgente e cada vez mais clara a importância para as pequenas, médias e também para as grandes empresas a presença de um executivo de finanças multifuncional. Trata-se daquele com aptidão para tornar a empresa mais competitiva, mais ágil, com capacidade para reduzir custos, baratear produtos e, em última análise, beneficiar a sociedade, na medida em que mais pessoas terão acesso aos seus produtos.
Não é à toa que, entre os principais dilemas do mundo empresarial, está a questão de decidir se as empresas devem escolher suas estratégias de negócio e prover caixa para executá-las, ou as estratégias de negócio são orientadas pela situação do caixa. Mais ou menos na linha do dilema filosófico "quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?", que nesse caso simplesmente deixamos de lado e passamos a falar sobre outra coisa.
No mundo corporativo, não há essa possibilidade. Tanto que, nos velhos tempos, o diretor financeiro pedia ajuda ao banco para tomar uma decisão importante. Agora, ele é o "co-piloto do avião", que conhece a melhor rota para os negócios; freqüenta reuniões do board não para prestar contas, mas para ajudar a definir os rumos da companhia, ajudar a selecionar os melhores projetos de crescimento.
Pelo impacto financeiro, o uso do caixa ou a tomada de dinheiro no mercado para suportar as decisões de negócios são sempre escolhas difíceis, que transcendem o simples bom senso e padrões com base em métricas contábeis da empresa. É inegável que a gestão tem sido orientada pela disponibilidade/necessidade de caixa, que vem transformando, gradativamente, o executivo de finanças no centro nevrálgico das decisões de negócios.
Por tudo isso, ao longo dos anos o executivo da área de finanças foi o profissional que, comparando-se sua função no passado com as atividades que exerce no mundo corporativo moderno, mais teve seu perfil alterado. Essa realidade é potencialmente atraente, ou perigosa, dependendo de quão munido de informações o executivo de finanças esteja.
Sempre as decisões de negócios têm se respaldado nas informações sobre o custo do dinheiro e qual a melhor alternativa para empregar a disponibilidade do caixa . Decisões como comprar, vender, antecipar ou atrasar pagamentos, desviar a entrega de um cliente para outro (e assumir os ônus financeiros) são sempre decisões de negócios que devem ser suportadas exatamente por uma decisão do executivo de finanças.
Na prática, têm sido bem-sucedidos aqueles que mais rapidamente entendem tais mudanças e os ajustes estruturais promovidos pelas organizações. São comandantes inovadores, que conseguem demonstrar a aplicabilidade e o resultado prático de sua atuação. Não estão, é claro, dando "sopa no mercado", pois são os profissionais mais desejados não apenas por empresas - privadas e públicas -, mas atualmente também por organizações não-governamentais e por instituições acadêmicas.
Daí a necessidade de ações de estímulo para a formação dessa nova geração de profissionais, como é o caso do 1 Prêmio Ibef/KPMG Revelação em Finanças, criado exatamente para descobrir talentos na execução das funções da área.
O mercado tem urgência. E nossa economia certamente também depende do sucesso dessa gente nova. Daqui para a frente, somente terão espaço os aptos a criar valor. Deles dependerá o crescimento de suas empresas e, em última análise, o crescimento do próprio País.