Título: BB reforça varejo no Japão em parceria com Sumitomo
Autor: Adriana Cotias
Fonte: Gazeta Mercantil, 07/12/2004, Finanças, p. B-2
Instituição estuda emissão de bônus em reais antes do fim do ano. O Banco do Brasil (BB) firmou acordo com o conglomerado japonês Sumitomo Mitsui para atender os trabalhadores brasileiros residentes no Japão, os chamados dekasseguis. A parceria se assemelha à selada entre o Bradesco e o UFJ no final de novembro e visa reforçar a participação do BB no varejo da segunda maior economia do mundo - desconsiderando-se o bloco da União Européia.
Com o acordo operacional, o BB adiciona 6,5 mil terminais de auto-atendimento do Sumitomo às 25 mil máquinas do serviço postal japonês, já conveniado com o banco. "Fazer varejo no Japão, mesmo para clientes brasileiros, é diferente do Brasil", diz o vice-presidente de Negócios Internacionais e Atacado, Antônio Francisco de Lima Neto. "É preciso compartilhar para dar mais conveniência a um cliente que trabalha no Japão, mas que mantém a sua referência e a sua poupança no Brasil."
O BB já usava os serviços do Sumitomo para remessa de recursos dos 103 mil correntistas no Japão que tem na sua base. De acordo com Lima Neto, o maior banco brasileiro detém 60% dos envios dos dekasseguis, mercado que, estima-se, movimente US$ 2,5 bilhões por ano.
A iniciativa do BB é paralela à rede de sete agências que o banco mantém no Japão, nas regiões de concentração de brasileiros - Tóquio, Gifu, Gunma, Hamamatsu, Ibaraki, Nagano e Nagóia. Com o reconhecimento da marca, o acesso ao mercado de capitais japonês também pode se tornar mais fácil para o banco. Em 2003, a instituição fez, por exemplo, uma operação de securitização com lastro no fluxo de remessas dos trabalhadores brasileiros que vivem no Japão.
As captações totais somaram, então, US$ 668 milhões. Neste ano, as incursões do BB ao mercado externo restringiram-se a uma única operação de dívida subordinada, de US$ 300 milhões, realizada em setembro. Mas com o apetite sinalizado pelo investidor estrangeiro por bônus referenciados em reais - ABN Amro Real, Bradesco, Votorantim e Unibanco já emitiram -, o banco pode voltar a captar antes da virada de 2005. "Estamos analisando preços e prazos para verificar se são adequados à estrutura de captação do banco", diz Lima Neto. "Estaremos no mercado em breve."
Segundo o executivo, o BB tem por estratégia avaliar as emissões segundo a gestão da liquidez e a possibilidade de originação de ativos. Ele acredita que em 2005 as grandes empresas vão voltar a demandar recursos para investimento nos mercados interno e externo. "As exportadoras, com folga de caixa neste ano, tendem ao endividamento de longo prazo."
As projeções preliminares do BB apontam para um crescimento global da carteira de crédito, em R$ 60,4 bilhões em setembro, entre 20% e 25%, segundo o vice-presidente de Varejo, Edson Monteiro. Como premissa, o banco espera que a relação crédito/PIB no Brasil suba de 26,9% para 30%.