Título: Troca de informações ajudará a diminuir despesas públicas
Autor: Guilherme Arruda
Fonte: Gazeta Mercantil, 06/12/2004, Gazeta do Brasil - P.ALEGRE, p. B-14

Empresas de governos estaduais defendem compartilhamento de dados entre as unidades federativas. O compartilhamento de informações e conhecimento entre todas as empresas de processamento de dados dos estados brasileiros foi uma das bandeiras defendidas no 64º Encontro de Diretores Administrativos e Financeiros promovido semana passada em Caxias do Sul (RS) pela Associação Brasileira de Empresas Estaduais de Processamento de Dados (ABEP), como forma de contribuição para a geração de economia do dinheiro público. "A Tecnologia da Informação tem condições de ajudar os governos a gerenciar melhor a reduzir despesas", diz o diretor comercial da Companhia de Processamento de Dados do Rio Grande do Sul (Procergs), Ademir Milton Piccoli.

O anfitrião do encontro dá um exemplo: o desenvolvimento de um software para gerenciar o pregão eletrônico colocado em prática o ano passado proporcionou economia de R$ 20 milhões para os cofres do governo gaúcho em 12 meses encerrados neste mês. "Na estréia do pregão eletrônico, para a compra de carros para a Brigada Militar (polícia militar) nós já conseguimos economizar", assinala Piccoli, acrescentando que, além de carros, o sistema é usado para compra de computadores, refeições, medicamentos, entre outros itens. "Há dificuldades para exercer de fato o compartilhamento. Uma delas é se não há impedimento jurídico. A outra são as diferenças políticas entre os estados" diz o diretor comercial da Procergs.

Desenvolvimento de software

Os Estados do Paraná e do Espírito Santo, de acordo com o diretor-presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (ETICE), Paulo Alcântara Saraiva Leite, estão desenvolvimento sistemas muito mais modernos e dinâmicos para melhorar os serviços dos seus respectivos Detrans, sendo que o do Paraná utiliza a plataforma de software livre, enquanto que a do Espírito Santo usa o código proprietário, isto é, sob licença de um fabricante.

"Às vezes se gasta dinheiro desnecessariamente. Se houvessem estas trocas de informações se pouparia recursos oficiais", argumenta Paulo Leão, que também é vice-presidente da ABEP. "Em São Paulo, o custo para transação do pagamento do IPVA, que no modelo antigo, era de R$ 14, baixou para centavos com o uso da internet", exemplifica.

Cinco empresas associadas da ABEP estão desenvolvendo neste momento uma parte do Sistema InfoSeg, o cadastro criminal único em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança do governo federal. "Nós já mostramos para todos os filiados os modos de acesso á base consolidada única", diz o diretor comercial da Procergs, Ademir Piccoli, acrescentando que a base do InfoSeg foi criada pela empresa gaúcha, em função de um convênio assinado no final de 1996 entre a Procergs e o Ministério da Justiça. "Até o ano de 2000 nós fomos os responsáveis por ele. A partir daí o ministério requisitou os códigos fonte (propriedade) e ficou responsável", ressalta Piccoli.

Banco de Talentos

Conceitos de gestão de empresas, muito comuns na iniciativa privada, começam a ganhar força entre as empresas públicas de processamento de dados. Com a experiência adquirida em 16 anos na Telesp, abrangendo a fase estatal e privada (Telefônica) a gerente de Recursos Humanos da Companhia de Processamento de Dados de São Paulo (Prodesp), Marta Beatriz Brandão Pires Albuquerque, está mudando a forma de lidar com o público interno, substituindo a gestão de pessoas por gestão de competências. O trabalho iniciou em novembro passado e não tem data para finalização.

"A primeira parte foi a construção desse modelo de competências. Para cada área foi feito um estudo, levando em conta as diferenças comportamentais", diz Marta Albuquerque, que considera a tarefa uma verdadeira revolução cultural dentro da Prodesp. "A empresa pública precisa estar alinhada ao mercado", costuma repetir. Nem tudo foi fácil.

No começo, ela esbarrou em alguns focos de resistência, que aos poucos foi mudando. "É natural que ocorra isso. É inerente ao ser humano, que está sempre em busca da zona do conforto", argumenta a diretora de informática.

Ao final do encontro, que reuniu representantes de 26 empresas de economia mistas, autarquias, departamentos, agências de processamento de dados, os convidados visitaram a fábrica de móveis Todeschini, localizada na vizinha Bento Gonçalves, referência nacional na gestão de pessoas.

kicker: RS economizou R$ 20 milhões com o pregão eletrônico