Título: Sobe venda de medicamento livre...
Autor: Iolanda Nascimento
Fonte: Gazeta Mercantil, 10/12/2004, Indústria & Serviços, p. A10

O presidente da Abimip, Carlos Bara, explicou que os laboratórios aplicaram reajuste médio de 5% aos Mips - abaixo da média (entre 5,7% e 6,2%) de aumento determinada pelo governo para a relação de medicamentos com preço controlado - porque o mercado livre deixa espaço para a disputa entre as empresas, que ficam mais competitivas. "O não controle de preços implicou em reajustes mais baixos."

O crescimento deste ano, porém, não recupera as perdas que o segmento vem acumulando há sete anos, assim como todo o mercado farmacêutico nacional. O volume de vendas está em queda desde 1997 em decorrência, principalmente, do desemprego e do achatamento da renda. Bara observou que para recuperar os números de 1996 seria necessário um aumento de 20% nas vendas, o que ele acredita ser possível somente em três anos.

Neste ano, no ranking industrial de participação no mercado de Mips, em unidades, a Altana Pharma manteve a primeira colocação, com 6,9%, percentual igual ao de 2003. O laboratório Aventis Pharma deteve 6,1%, queda ante os 6,7% do ano passado, mas manteve a segunda colocação. A DM (Dorsay), em terceiro lugar, também apurou queda: passou de 6,4% em 2003 para 5,8% de participação este ano.

As expectativas da Abimip para 2005 acompanham a euforia de crescimento esperada para a economia em geral. "Se o PIB continuar crescendo, certamente o segmento irá se beneficiar." Bara estima para o próximo ano crescimento igual ao deste ano, de 10% no faturamento e 5% no volume. Entretanto, a entidade promete trabalhar bastante para solidificar a imagem institucional do segmento e, conseqüentemente, ajudar a engrossar os números.

A Abimip intensificou neste ano suas estratégias para dar maior visibilidade e fortalecer a entidade e tem investido em média R$ 500 mil por ano em pesquisas, eventos, publicidade e campanhas educativas voltadas para a população, entre outras iniciativas que visam a mudar conceitos sobre o uso de Mip e consolidar a participação da indústria nas ações regulatórias que afetam o mercado. Para 2005, ela está preparando, em parceria com o Conselho Federal de Farmácia, uma campanha sobre o consumo consciente de medicamentos isentos e planeja afixar cartazes educativos nas mais de 50 mil farmácias do Brasil, durante todo o ano. "Queremos estimular, entre outras coisas, que o paciente se aconselhe com o farmacêutico antes de tomar um remédio."

Bara disse que as iniciativas têm por objetivo também derrubar o mito de que o brasileiro consome muito medicamento. "Nada justifica esse título. Não há renda para isso", disse Bara, que se ampara em estatísticas mundiais para derrubar o conceito. Pesquisas do IMS Health mostram que o gasto per capita no Brasil é de US$ 6 em média por ano com remédios, inferior aos US$ 10 gastos pelos mexicanos, US$ 11 pelos venezuelanos e US$ 61 pelos franceses. São sete caixas de medicamentos per capita por ano no Brasil, ante dez no México, 13 na Venezuela e 48 na França.