Título: Fim do embargo russo às carnes pode sair hoje
Autor: Neila Baldi
Fonte: Gazeta Mercantil, 10/12/2004, Agribusiness, p. B12

Os exportadores de frango esperam para hoje parecer do governo russo quanto ao embargo imposto em 17 de setembro às carnes brasileiras. A expectativa do setor é de que hoje poderá sair algum relatório favorável ao Brasil. No início da semana, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, havia anunciado que a questão se resolveria nesta semana.

Em novembro, durante 10 dias, uma missão de veterinários russos esteve no Brasil verificando as condições sanitárias do País. O grupo retornou a Moscou em 26 de novembro e, desde então, o setor aguarda o relatório final. Apenas Santa Catarina, livre de aftosa sem vacinação, pode exportar carnes para a Rússia. O embargo foi imposto devido à descoberta de um caso de febre aftosa no Amazonas.

Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), Cláudio Martins, há boatos de que hoje o governo russo estaria analisando o caso brasileiro. No entanto, o secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Maçao Tadano, que todos os dias conversa por telefone com representantes do governo russo, disse que não tinha informações novas sobre o caso.

Apesar das restrições, o Brasil deve fechar 2004 como o maior exportador mundial de carne de frango, em receita e volume. Estima-se que as remessas totalizem 2,4 milhões de toneladas, aumento de 23% em relação a 2003, perfazendo uma receita de US$ 2,5 bilhões, crescimento de 40% ante a 2003. Há três anos, o Brasil vendia US$ 1 bilhão em carne de frango ao exterior.

Mesmo com o bom desempenho, a Abef recomenda a seus associados que as próximas exportações sejam feitas com moedas mais valorizadas que o dólar, como o euro na Europa ou até mesmo o real brasileiro, no caso do Mercosul. Isso porque, de maio a novembro, o dólar se desvalorizou 13%. "Estamos recomendando ainda que os exportadores repassem parte dessa desvalorização a seus compradores", diz Martins.