Título: Exportação cresce mais que o previsto
Autor: Luciana Otoni
Fonte: Gazeta Mercantil, 14/12/2004, Nacional, p. A-4

Embarques inesperados de produtos, como soja, elevaram em 6,8% a média diária no período. A balança comercial registrou superávit de US$ 843 milhões na segunda semana de dezembro, resultado da diferença entre exportações de US$ 2,083 bilhões e importações de US$ 1,240 bilhão. Com esse desempenho, subiu para US$ 31,250 bilhões o saldo positivo acumulado no ano, com acréscimo de 33,9% sobre o montante obtido em igual período do ano anterior.

Em um típico período de arrefecimento no comércio exterior, as exportações brasileiras reagiram mais fortemente na última semana. A média diária de US$ 416,6 milhões obtida nas vendas externas na segunda semana ficou 6,8% acima da média de US$ 390 milhões registrada na primeira semana do mês, como resultado da expansão dos embarques de produtos básicos e manufaturados.

Os dados constam do boletim parcial da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Na comparação com dezembro de 2003, a expansão foi de 32,6%, influenciada pelo crescimento das vendas em todas as categorias de produtos.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, atribuiu o aumento das exportações no período a operações de embarque inesperadas. Na semana passada foram feitos embarques de soja que tradicionalmente não ocorrem nessa época do ano. "Diferentemente de meses anteriores, quando tínhamos regularidade nas exportações - US$ 400 milhões e US$ 420 milhões de média diária - desde novembro estamos tendo muita assimetria (irregularidade). Estamos avaliando isso; na semana passada, ocorreu a surpresa do impacto positivo da soja, que foi exteporâneo. Além disso, na quinta-feira e na e sexta-feira as importações apresentaram uma queda importante, que vamos analisar", comentou.

As exportações de semi-manufaturados aumentaram 32,7% (a receitas diárias passaram de US$ 48,8 milhões para US$ 64,8 milhões) com destaque para ferro e aço, açúcar em bruto, ferro fundido, couros e peles, alumínio, madeira e ferro-ligas. As vendas de manufaturados tiveram acréscimo de 31,4% (as receitas diárias passaram de US$ 177,5 milhões para US$ 233,3 milhões) puxadas por negócios em volumes maiores com aviões, automóveis, gasolina, autopeças, motores, calçados, transmissores e receptadores e laminados planos.

Na categoria dos produtos básicos verificou-se uma elevação de 31,2% (as receitas diárias passaram de US$ 75,1 milhões para US$ 98,5 milhões) devio ao incremento mas vendas de minério de ferro, petróleo em bruto, café em grão, fumo em folhas, carnes e algodão. As exportações da última semana cresceram em relação à primeira semana de dezembro e frente a dezembro de 2003, mas mantiveram-se estáveis em relação a novembro último.

Do lado das importações, a média diária de US$ 274,9 milhões de aquisições em dezembro ficou 51,3% maior do que a média de US$ 181,7 milhões apurada em igual período de 2003. O acréscimo deveu-se a maiores importações de combustíveis e lubrificantes (165%), produtos siderúrgicos (97,4%), eletroeletrônicos (72,4%), automóveis e partes (53,2%), plásticos (53%), equipamentos mecânicos (28,7%) e produtos químicos (25,4%). Com os resultados parciais de dezembro, subiu para US$ 90,533 bilhões o total acumulado exportado neste ano - 30% acima dos US$ 69,623 bilhões obtidos em igual período do ano anterior. No período as importações evoluíram 28,1% e estão em US$ 59,283 bilhões.