Título: Pedido marco regulatório para...
Autor: Ana Paula Machado e Gisele Teixeira
Fonte: Gazeta Mercantil, 16/12/2004, Internacional, p. A-11
"O Mercosul ainda é simbólico. Somente 10% do que foi decidido foi cumprido. Não há um código aduaneiro claro, nem mesmo as regras de proteção ao consumidor", diz Alaby. Neste sentido, os empresários que estiveram em Belo Horizonte acreditam que a tensão entre Argentina e Brasil nas últimas semanas é oportuna para o Mercosul começar a resolver seus problemas. "Não é a hora de colocar panos quentes, e sim de discutir. Só que isso tem que ser feito com os empresários. Se os governos insistirem em encontrar saídas sozinhos, vão dar em lugar nenhum", destaca Maria Teresa.
Ela acrescenta que a Eletros se esforçará para manter o projeto político do Mercosul, mas destaca que a associação não aceitará a adoção de salvaguardas pela Argentina para eletrodomésticos. Segundo Maria Teresa, o mecanismo fere as regras do bloco e da Organização Mundial do Comércio.
O que os empresários defendem é que as conversas avancem em outro nível, com a busca de alternativas que tirem os países do impasse no comércio. Uma das sugestões é que os representantes dos setores que mais enfrentaram conflitos comerciais nos últimos cinco anos se sentem à mesa e discutam seus principais problemas. "Um encontro empresarial, e não político", diz Maria Teresa.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou ontem um comunicado dizendo que seu presidente, Paulo Skaf, comunicou ao ministro do Desenvolvimento e Indústria, Luiz Fernando Furlan, que está preocupada com os rumos do bloco. E diz esperar que o governo, até 2006, consiga restabelecer a credibilidade da união aduaneira. De acordo com o comunicado, a Fiesp pode rever sua posição sobre o modelo atual do bloco se uma série de questões não forem resolvidas. Isso inclui a falta de uma regra ad hoc para as negociações comerciais e o surgimento de novos conflitos pela aplicação de salvaguardas permanentes.
Os empresários querem também mais promoção comercial conjunta em outros mercados. "Há um enorme potencial nos setores de calçados, agropecuários, mas não sabemos expor todas as qualidades dos nossos produtos. A visão que se tem é que o bloco não cumpre o que se escreve", diz Michel Alaby.
Juan Miguel Cassissa, diz que o bloco precisa trabalhar muito mais perto dos governos e ter uma ação mais efetiva nas operações que promovem o Mercosul em outros mercados, participando da definição das regiões prioritárias.
Ontem, o ponto de discórdia foram as salvaguardas. Roberto Maceri, vice-presidente da Confederação Argentina das Médias Empresas (que congrega 940 câmaras) garantiu não haver necessidade para todo o "carnaval" em torno das salvaguardas. "Queremos que as medidas sejam implantadas apenas em alguns setores, como o têxtil, calçados e linha branca. Mas isso faz parte de um momento pontual e não será para sempre." Maceri acredita que o Brasil deve ser "compreensivo" neste momento e que é possível o estabelecimento de uma política industrial comum na região.