Título: Bovespa lidera pelo terceiro mês
Autor: Altamiro Silva Júnior
Fonte: Gazeta Mercantil, 01/09/2004, Finanças & Mercados, p. B-1
Bolsa sobe 2,09% e puxa ganho dos fundos de ações, que rendem 3,74%; dólar cai 3,07%. A renda variável foi a aplicação mais rentável em agosto. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), fechou o período com ganho de 2,09% - foi o terceiro mês consecutivo que a bolsa aparece no topo do ranking. Os fundos de ações tiveram desempenho ainda melhor e subiam 3,74%, em média, até o dia 30. O dólar terminou o período acumulando queda de 3,07%. Os dados são do Centro de Informações da Gazeta Mercantil.
Para o administrador de investimentos, Fabio Colombo, apesar do otimismo com os rumos da economia brasileira, com a melhoria do crescimento econômico e dos índices de desemprego, o mercado não conseguiu deslanchar. Na sua avaliação, o aumento do preço do petróleo - que recuou apenas nos últimos dias do mês - a resistência da queda da inflação, com possibilidades de aumento dos juros básicos, acabaram anulando as notícias positivas e a alta da Bovespa acabou sendo modesta, principalmente em comparação com os meses anteriores. Em julho, o Ibovespa subiu 5,62%; em junho, a alta foi de 8,21%.
No ano, o Ibovespa acumula valorização de 2,55%. Neste período, a liderança de ganhos fica com a renda fixa. O Certificado de Depósito Interbancário (CDI), o principal referencial destas carteiras, tem alta nominal de 10,35% desde janeiro. Os fundos DI, os mais conservadores, rendem 9,51%.
Abaixo da inflação
A maioria das aplicações não consegue bater a inflação, tanto em agosto, como no acumulado do ano. O CDI, por exemplo, teve rendimento real de apenas 0,07% em agosto, considerando a variação do IGP-M, que ficou em 1,22% no mesmo período. No ano, a aplicação que consegue o maior ganho real é o overnight, com 0,82%. Desde janeiro, o IGP-M tem alta de 9,49%.
Fundos perdem recursos
O setor de fundos continuou perdendo recursos em agosto. Os saques somavam R$ 1,4 bilhão até o dia 26, segundo dados preliminares da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Um dos destaques de captação eram justamente os fundos de ações, os mais rentáveis do mês, que registravam aplicações de R$ 143 milhões.
Os fundos DI e de curto prazo recebiam R$ 896 milhões no mesmo período. No ano, o setor de fundos ainda registra captação líquida de R$ 10 bilhões.
Em média, os fundos de ações subiram 3,74% em agosto. Algumas carteiras, porém, tiveram rendimento ainda maior. O Pactual Eventos Corporativos, do Banco Pactual, foi a o fundo de ações que mais subiu no período, com rendimento de 18,3%, segundo ranking da InvestNews. Ainda entre as carteiras de ações, as recém-criadas fundos Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB) tiveram valorização de cerca de 2,5%; os fundos de FGTS da Vale do Rio Doce subiram, em média, 2,4%. Com a queda do dólar, a rentabilidade dos fundos cambias despencou. As carteiras perderam 3,09% em agosto, em média. Os fundos em euro também não tiveram desempenho melhor. Até o dia 27, a perda média era de 2,8%.