Título: IGP-M fica abaixo da expectativa
Autor: Viviane Monteiro
Fonte: Gazeta Mercantil, 17/12/2004, Nacional, p. A-4
Os preços dos combustíveis surpreenderam as expectativas na 2ª prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). O indicador subiu para 0,63% após avançar 0,62% na primeira apuração do mês, ficando abaixo do esperado pelos analistas.
"O fato é que o IPA (Índice de Preços por Atacado) desacelerou bastante. Eu esperava que o último reajuste dos combustíveis fosse pressionar mais", disse o economista do Unibanco, Adriano Pires Lopes, que estimava variação de 0,80% na segunda sondagem.
Pelos seus cálculos, o impacto dos combustíveis no índice foi de 0,12%. A inflação do IPA, um dos componentes com maior peso no IGP-M, saiu de uma alta de 0,74%, na primeira prévia, para 0,67% na apuração atual. "Além dos combustíveis vi também uma melhora nos preços de outros segmentos, o que é um bom sinal notar um arrefecimento do choque das comoditties (rezina de aço, petróleo), que vinham pressionando desde o início do ano por conta da demanda externa".
O último reajuste dos combustíveis anunciado pela Petrobras começou a vigorar nas refinarias no dia 26 de novembro: à época, o preço da gasolina subiu 4,2% e do óleo diesel, 8%. Sobre o reajuste feito em outubro, o economista disse que essas pressões já foram totalmente "diluídas". Os reajustes ocorreram por efeito do aumento do preço do petróleo no mercado internacional.
Entretanto, o economista disse que em janeiro haverá algumas pressões pontuais estimuladas pela nova rodada de reajuste nos preços de siderurgia e aumentos anuais de minérios e carvão. "Mas, apesar desses reajustes pontuais, as pressões dos produtos no atacado no ano que vem serão sensivelmente menores em relação a 2004".
A estimativa de Lopes para o IGP-M fechado do mês, que era de 1%, será revista para 0,8%. Sua projeção é de 12,5% no indicador fechado do ano.