Título: Novos recordes históricos batidos no mês de agosto
Autor: Luciana Otoni e Edna Simão
Fonte: Gazeta Mercantil, 02/09/2004, Nacional, p. A-6

A balança comercial brasileira bateu recorde histórico para meses de agosto nos quesitos exportações, importações e superávit. As exportações somaram US$ 9,06 bilhões, valor que surpreendeu o governo. As importações, em sua melhor performance mensal esta ano, atingiram US$ 5,62 bilhões, com evidente sinal da retomada dos investimentos. E o saldo comercial de agosto foi de US$ 3,43 bilhões, também o mais alto resultado mensal no ano. De janeiro a agosto, o superávit já é de US$ 21,95 bilhões e a corrente de comércio ¿ soma das exportações e importações ¿ chegou à cifra recorde de US$ 100,76 bilhões.

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, "a parte positiva é que pelo terceiro mês consecutivo mantivemos o ritmo de US$ 9 bilhões", afirmou. As exportações feitas em agosto ficaram 35% maiores em comparação a igual mês do ano anterior e 0,7% acima do resultado do mês de julho deste ano.

Os produtos mais exportados foram automóveis, aviões, material de transporte, complexo soja, minério de ferro, petróleo, carnes, celulose, açúcar e ferro fundido. No ano, as exportações registraram a cifra recorde histórico de US$ 61,35 bilhões, superior a todo o ano de 2002. Na comparação com 2003, o total exportado em 2004 até agosto está 34,8% maior. Em agosto, os principais destinos dos produtos brasileiros foram Estados Unidos, Argentina e China. No acumulado dos oito primeiros meses de 2004, o maiores aumentos relativos das exportações ocorreram com Argentina (76,4%), Oriente Médio (56,5%), União Européia (33,6%) e Estados Unidos (12,8%).

Não menos expressivas, as importações em agosto refletiram a retomada dos investimentos no setor produtivo. Os maiores aumentos ocorreram em combustíveis e lubrificantes (+65%), matérias-primas e intermediários (+41,9%), bens de capital (+41,8%) e bens de consumo (+28,7%). No acumulado do ano, as importações somam US$ 39,40 bilhões, valor recorde histórico para o período. Os maiores aumentos foram nas importações de combustíveis (49,2%), máquinas e equipamentos (28,3%) e bens de capital (17,1%). Furlan disse que o fortalecimento das importações representa um importante sinal. "O perfil das importações é bastante construtivo porque está ligado a insumos, máquinas e equipamentos. Portanto, é um rebatimento concreto do ritmo da economia brasileira", comentou.

Frente ao aquecimento do mercado interno, o ministro disse que os empresários não devem recuar nos negócios conquistados no exterior e sim acreditar na demanda e ampliar a capacidade de produção. "O Brasil conquistou arduamente o crescimento de 50% nas exportações em dois anos, saindo de US$ 60 para US$ 90 bilhões ano entre 2002 e 2004. Não faria sentido perdemos este espaço conquistado principalmente pelos produtos de maior valor agregado, que representam mais de 50% de nossa pauta de exportações, pela demanda do mercado interno", disse. O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, disse que não há risco de desabastecimento no mercado interno e que o governo acompanha a questão com cuidado, citando como exemplo o suprimento de aço.