Título: Vaz reúne grupo e tenta compor com Paulo Skaf
Autor: Otto Filgueiras e Simone Cavalcanti
Fonte: Gazeta Mercantil, 02/09/2004, Nacional, p. A-8

Proclamado o resultado oficial das eleições da Fiesp e do Ciesp, o industrial Claudio Vaz, presidente eleito do Ciesp, reúne-se hoje com os empresários que apoiaram sua candidatura para discutir a possibilidade de um trabalho conjunto com o presidente eleito da Fiesp, o industrial Paulo Skaf. Pela primeira vez na história das duas entidades da indústria paulista, elas terão presidentes e diretorias distintas.

"Existem vários horizontes e o ideal e preferido é propor à nova diretoria da Fiesp, caso tenha interesse em discutir, um trabalho integrado e coordenado pelas duas entidades, inclusive em relação as diretorias técnicas e os diversos departamentos das Fiesp e do Ciesp", disse Vaz. As diretorias técnicas são nomeadas em conjunto pelas duas entidades e, para manter esse sistema, os dois presidentes serão impelidos a abandonar as posições divergentes manifestadas durante o processo eleitoral e chegar a um entendimento.

Skaf visita ministros e o Senado

O presidente eleito da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou ontem, em Brasília, que "é preciso parar com as expectativas no Brasil", principalmente com relação à inflação e ao aumento da taxa básica de juros, a Selic, em uma clara referência à sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em sua última ata, que aponta para uma eventual elevação dos juros em função da alta dos preços do petróleo no mercado internacional.

"Qualquer aumento de juros é totalmente nocivo ao país e eu não acredito que os juros aumentarão", afirmou. "Taxa de juros para mexer, só se for para baixo", disse o empresário, ao deixar o Ministério da Fazenda, onde visitou o ministro Antonio Palocci. Foi a primeira visita que o presidente eleito da Fiesp fez a ministros durante os dois dias que permanecerá em Brasília. Ainda ontem, Skaf visitou o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e com o presidente do Senado, José Sarney.

Na visão de Skaf, a única expectativa possível é a de redução da carga tributária com prioridade aos impostos que sejam mais nocivos à produção. Skaf revelou que recebeu do ministro Antonio Palocci o indicativo de que há intenção do governo de listar alguns impostos para a redução de alíquotas. Paulo Skaf disse que esse é um elemento para que, na sua avaliação, o País possa obter crescimento sustentado pelos próximos 15 anos.