Título: Preços voltam a cair em agosto no varejo da Grande São Paulo
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 03/09/2004, Comércio & Serviços, p. A-14

Os preços no varejo da Grande São Paulo não estão acompanhando a reação da demanda nos últimos meses. É um sinal claro de que os lojistas da região preferem usar a relativa estabilidade dos preços para aumentar o volume de vendas e o faturamento.

Em agosto, o Índice de Preços no Varejo (IPV), calculado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), registrou nova queda, para 0,73%. Em julho, o índice havia apresentado elevação de 0,86%, já menor do que a de junho (1,55%).

Mesmo com o recuo em agosto, o IPV registra alta de 9,38% em 12 meses e de 7,03% no ano. Para a assessoria econômica da Fecomercio, os números indicam que o índice não deve ficar abaixo de 9% em 2004. Se a estimativa se confirmar, a inflação no varejo em 2004 ficará acima da apurada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Este é o indicador usado pelo Banco Central no cálculo da meta de inflação, que deve fechar o ano em torno de 7%.

Para setembro, a Fecomercio estima que o IPV fique em cerca de 0,5%, mantendo a tendência de desaceleração, devido à entrada de maior quantidade de carnes e produtos in natura no mercado.

A desaceleração do grupo de não-duráveis, que passou de 1,27% em julho para 0,31%, teve a maior influência no recuo do IPV no mês passado. Isso refletiria principalmente a menor pressão da área de alimentos, que está saindo da entressafra e deve pressionar os preços para baixo amédio prazo. Em agosto, os produtos alimentícios subiram 0,5%, contra 1,54% em julho. A queda de 4,14% no preço dos produtos de higiene também puxou para baixo o índice do grupo de não-duráveis.

Em agosto, o grupo de semiduráveis foi o único a mostrar resultados negativos: passou de uma alta de 0,94% em julho para uma queda de 0,24%. O segmento de vestuário, com queda de 2,72%, também contribuiu para o movimento de baixa do IPV, principalmente devido às liquidações de inverno. Já o grupo de calçados apresentou alta de 3,79% no mês. O fato de o segmento estar cada vez mais voltado para o mercado externo explicaria o aumento.

O segmento de móveis e decoração, que em julho havia registrado elevação de 4,22%, manteve-se bem próximo da estabilidade, no mês passado (-0,14%). Foi a maior contribuição para a desaceleração no grupo de duráveis, que passou de 2,06% para 0,8%. O ramo de eletrodomésticos teve um recuo menor, de 1,22% para 1,09%. Para os economistas da Fecomercio, este dado mostra que neste segundo semestre as indústrias do setor estão repondo sua margem de lucro: nos meses anteriores, os aumentos de custos não foram repassados para os preços.

Entre os grandes grupos pesquisados (duráveis, semiduráveis, não-duráveis, comércio automotivo e materiais de construção), apenas comércio automotivo e materiais de construção apresentaram altas significativas em agosto: 3,11% e 5,48%, respectivamente.

No caso de automotivos, o aumento se justifica pela entrada dos modelos de 2005, com patamar de preço mais elevado. Já no caso de materiais de construção, o aumento se deve à recomposição de margem. Além disso, os preços praticados no mercado internacional pressionaram também os preços internos. O segmento de materiais de construção acumula alta de 18,36% no ano. No comércio automotivo, o ramo de autopeças teve alta de 20,79% no ano e o de veículos novos, de 6,56%.

Vendas

Em julho, segundo pesquisa anterior da Fecomercio, o faturamento dos varejistas na Grande São Paulo aumentou 13,62% em relação ao mesmo período de 2003. Foi o melhor resultado deste ano.

Todos os ramos de varejo pesquisados tiveram ganhos de faturamento no mês de julho, com exceção das lojas de materiais de construção (-0,52%) e de autopeças e acessórios (-12,15%).

Os melhores desempenhos ficaram nas lojas de eletrodomésticos (34,37%), de roupas, tecidos e calçados (23,14%) e de móveis e decoração (20,87%).