Título: Países da Opep em reunião para discutir o controle dos preços
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Fonte: Gazeta Mercantil, 13/09/2004, Energia, p. A-6
A retomada do controle dos altos preços mundiais do petróleo é o principal desafio que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) enfrenta nesta semana em Viena, onde será realizada uma reunião de seus ministros e um seminário internacional.
O fórum reunirá, na quinta e sexta-feira, importantes produtores como México, Rússia e Noruega, diretores de multinacionais petrolíferas e representantes de institutos especializados, como a Agência Internacional da Energia.
Os observadores do setor consideram que desta vez a Opep tem pouca margem de manobra para influenciar os voláteis preços atuais do petróleo, que se mantêm acima dos US$ 40.
Os contratos para a entrega em outubro do Petróleo Intermediário do Texas (leve), o de referência nos EUA, fecharam na última sexta-feira a US$ 42,8 o barril no mercado nova-iorquino. Em Londres, o barril do Brent, o petróleo de referência para a Europa, terminou a semana a US$ 40,3. Da mesmo forma, a chamada "cesta OPEP" (barril cujo preço é calculado com base em sete tipos de petróleo) é vendida em torno de US$ 38, depois de ter chegado à máxima histórica de US$ 43,1 em 22 de agosto.
Segundo os analistas, as cotações do petróleo escaparam do controle dos produtores porque todos já estão extraindo ao máximo e não lhes resta mais capacidade para aumentar a oferta a curto prazo, com exceção da Arábia Saudita, o maior exportador mundial.
Logo após o último aumento de sua produção entrar em vigor, a Opep, com um controle de cerca de 40% da produção mundial de petróleo e mais da metade das exportações de petróleo no planeta, assistiu, impotente, aos preços baterem um novo recorde quase que diariamente.
O problema não está na insuficiência em cobrir o atual consumo, mas na muito limitada capacidade de extração adicional que existe no mundo para atender o crescimento da demanda previsto para o inverno do hemisfério norte.
A cota oficial da extração conjunta de dez países da Opep - todos menos o Iraque - foi fixada em agosto em 26 milhões de barris diários (mb/d), e a oferta real supera esse limite em quase 2 mb/d. Segundo fontes do cartel, com as extrações iraquianas, a produção total já chega a 30 mb/d, o maior nível da oferta da organização desde 1979.
O dilema da Opep é que um aumento da cota oficial não teria efeito sobre o mercado por já estar superada pela oferta real, enquanto que um aumento desta última é um faca de dois gumes: quanto mais abrir suas torneiras, mais se aproximará do limite e reduzirá o já escasso "colchão de reservas". Segundo estimativas, a capacidade ociosa da Opep (e do mundo) está entre 0,5 e 1,5 mb/d, muito pouco para tranqüilizar os mercados, e seu aumento requer tempo e importantes investimentos na infra-estrutura industrial.
Essa falta de capacidade ociosa é um dos motivos do atual nervosismo nos mercados. Alimenta ainda a febril atividade especulativa, com contratos de futuros ao oferecer a percepção de que ninguém está em condições de compensar eventuais cortes do abastecimento. Por isso, o preço dispara com qualquer notícia que possa afetar diretamente a indústria petrolífera, como a violência no Iraque, a crise do consórcio russo Yukos ou os furacões no Golfo do México.