Título: Aumentos menores em 12 meses, diz pesquisa do BC
Autor: Edna Simão
Fonte: Gazeta Mercantil, 14/09/2004, Nacional, p. A-4

O Relatório de Mercado (antigo Boletim Focus), uma pesquisa semanal do Banco Central (BC) com cerca de 100 economistas de bancos e consultorias, reduziu as expectativas da inflação acumulada nos próximos 12 meses, de 6,28% há uma semana para 6,19% na pesquisa datada de 10 de setembro e divulgada ontem. A pesquisa considera a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O IPCA é o índice utilizado pelo sistema de metas de inflação do governo.

As expectativas de inflação no ano-calendário 2004 se elevaram de 7,29% há uma semana para 7,37% na nova pesquisa. A meta de inflação para este ano é de 5,5%, com margem de 2,5 pontos percentuais. Para o próximo ano, também foi elevada a expectativa inflacionária, de 5,60% há uma semana para 5,70%. Esse percentual está bem acima da meta de inflação estabelecida pelo governo para 2005, que é de 4,5%.

Segundo o Relatório de Mercado divulgado ontem, a média das expectativas dos analistas consultados aposta que a Selic deverá fechar 2004 em 16,5%, ante 16% na semana anterior. No entanto, as expectativas para este mês foram mantidas em 16%, enquanto que para o mês que vem elas foram elevadas de 16% para 16,25%. Para 2005, a previsão foi mantida nos 15% - a média verificada na semana anterior.

A estimativa de crescimento econômico para este ano, no conceito de Produto Interno Bruto (PIB), subiu de 4,23% há uma semana para 4,31%. Para o próximo ano, a previsão também foi aumentada de 3,50% para 3,6%.

Os economistas do mercado mantiveram a previsão de saldo da balança comercial de US$ 31 bilhões, como já aparecia na pesquisa da semana passada, mas elevaram a previsão do saldo em 2005 para US$ 26,1 bilhões (ante US$ 26,0 bilhões na pesquisa da semana anterior). A expectativa de ingresso de capital estrangeiro este ano também teve uma pequena elevação, de US$ 10,0 bilhões para US$ 10,04 bilhões. Para o próximo ano, foi mantida a previsão de US$13,0 bilhões.

O economista Vladimir Caramaschi, do Banco Fator, disse que as expectativas de inflação para 2004 e 2005 se deterioraram bastante nos últimos meses, o que já era esperado, e, por isso, disse que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que se reúne hoje e amanhã para decidir a nova trajetória dos juros, deveria avaliar um pouco mais o comportamento da inflação antes de aumentar a Selic.

Já o economista-chefe do banco BNP Paribas, Alexandre Lintz, ressaltou que a inflação para os próximos 12 meses vem se mantendo bastante estável e caminha lentamente para a meta de inflação. "O BC deve esperar, pelo menos mais um mês, para ver se sobe os juros", afirmou Lintz. O economista da Corretora Liquidez, Francisco Carvalho, espera um aumento entre 0,25 e 0,50 ponto percentual da Selic amanhã. "A questão é que a inflação subiu nos últimos meses", frisou Francisco Carvalho.