Título: Raúl libera hotéis de luxo para os cubanos
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 01/04/2008, Internacional, p. A13

O presidente cubano, Raúl Castro, deu mais um passo ontem na política de mudanças graduais na ilha caribenha, ao permitir o livre acesso dos cubanos aos hotéis, que até agora eram reservados a turistas estrangeiros. "Sim, recebemos esta orientação e já está em vigor", disse um funcionário do hotel Copacabana, em Havana, na noite de domingo. Uma funcionária do hotel Riviera também confirmou a informação. Muitos hotéis de Cuba, reservados até agora aos estrangeiros, foram construídos nos últimos 15 ano. Desde 1993 começaram a cobrar seus serviços em divisas, para combater a crise econômica que afeta o país desde o fim do bloco soviético e a intensificação do embargo americano. A autorização também foi confirmada pelos hotéis Nacional, Victoria, Presidente e Meliá-Havana. No entanto, os meios de comunicação cubanos não anunciaram a mudança até o momento. Até então, os cubanos podiam pagar pelos serviços hoteleiros, como restaurantes, cafeterias, lojas, academias, mas não se hospedar, uma medida que era justificada pela escassez de quartos e por romper a igualdade social. Cuba recebe mais de dois milhões de turistas estrangeiros por ano, em uma indústria que tem receita bruta superior a US$ 2 bilhões. Nos últimos anos, o governo passou permitir a hospedagem de casais em lua-de-mel, trabalhadores e estudantes destacados, que chegaram a 750 mil pessoas em 2006, a um custo de US$ 57 milhões. Raúl Castro, 76 anos, substituiu durante 19 meses o irmão Fidel (81) na presidência, em conseqüência de uma doença intestinal do até então comandante. Em fevereiro, depois de Fidel anunciar que deixaria o poder, Raúl foi eleito presidente pelo Parlamento. Neste período, o ex-ministro das Forças Armadas abriu um amplo debate social sobre os problemas nacionais, anunciou mudanças na economia, inclusive estruturais, e se pronunciou contra o excesso de proibições e limitações que pesam sobre os cubanos. Na sexta-feira, um comunicado da empresa Etecsa, que tem o monopólio da telefonia na ilha, anunciou que nos próximos dias os cubanos poderão comprar telefones celulares, uma possibilidade até então reservada a estrangeiros e funcionários de empresas estatais. Um documento do ministério do Comércio Interior, ao qual a AFP teve acesso semana passada, também anuncia a autorização de vendas de computadores, aparelhos de DVD, fornos de microondas e outros aparelhos eletrônicos, até agora também restritos a estrangeiros. Também é esperada uma flexibilização nos procedimentos migratórios, assim como a autorização para a compra e venda de automóveis, segundo especulações que já chegaram à população. As autoridades fazem questão de destacar, no entanto, que todas as mudanças acontecem dentro do socialismo da ilha. Enquanto isso, intelectuais cubanos inauguram hoje um congresso para se posicionarem em relação às mudanças exigidas pela sociedade e estancar velhas feridas. "Fidel estará acompanhando pela televisão, assistindo a cada minuto deste congresso", disse o presidente da Comissão Organizadora do evento, Miguel Barnet. O VII Congresso da União de Escritores e Artistas de Cuba (Uneac), criado em 1961 e com 8,5 mil membros, será o primeiro congresso com Fidel. (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 13)(AFP)

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