Título: Governo anuncia programa de inclusão digital nas escolas
Autor: Exman, Fernando
Fonte: Gazeta Mercantil, 07/04/2008, TI & Telecom, p. C2
Brasília, 7 de Abril de 2008 - O governo anuncia amanhã o programa de inclusão digital que levará conexão à internet em banda larga a 55 mil escolas públicas dos ensinos Médio e Fundamental até 2010. Essas instituições representam 75% dos cerca de 77 mil colégios localizados no meio urbano. O cronograma do projeto já está definido. A banda larga chegará a 22 mil escolas este ano. Outras 22 mil serão beneficiadas no ano que vem e as 11 mil restantes serão contempladas em 2010. Cerca de 80% dos alunos que estudam em escolas públicas estão matriculados nessas instituições. O serviço será oferecido gratuitamente a esses colégios até o fim do contrato de concessão que as teles assinaram e renovaram com o governo, através da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ou 18 anos. A idéia do Executivo é aumentar a qualidade do ensino e levar conexão gratuita às escolas. A troca de documentos e informações entre as instituições e os governos federal, estaduais e municipais será desta forma facilitada, acredita o governo. Investimento de R$ 1 bi O acordo só foi possível porque, depois de quatro meses de negociação, o governo desobrigou as operadoras telefônicas fixas - Telefônica, Brasil Telecom e Oi/Telemar - a ampliarem a oferta de Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs) no País. Segundo a Anatel, para cumprir as obrigações contidas no Plano Geral de Metas para a Universalização (PGMU), as empresas gastariam aproximadamente R$ 1 bilhão nessas intalações. O mesmo montante será utilizado para levar a infra-estrutura de banda larga a todos os municípios do País até dezembro de 2010. Plano sem sentido Para o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, a implantação dos postos de serviços de telecomunicações exigidos pelo Plano Geral de Metas para a Universalização não fazia sentido. "O custo seria muito alto, e o retorno muito baixo para os usuários", argumentou. "Para as companhias, é muito melhor oferecer um serviço que terá certamente clientes interessados." Como grande parte dos municípios brasileiros não contam com infra-estrutura de banda larga (backhaul), o serviço só é possível por satélite ou sistemas especiais de rádio, o que os torna muito onerosos e praticamente proibitivos nessas localidades. A expansão da oferta a partir da rede a ser criada para as escolas tende a baratear o acesso à tecnologia pela comunidade como um todo. "Mas, mesmo assim, não deve ficar mais barato do que se vê hoje nas grandes cidades", acredita Tude baseado na densidade elevada das metrópoles. Fixo já é abrangente Atualmente, segundo a Anatel, o serviço de telefonia fixa está presente na totalidade dos 5.564 municípios brasileiros. Mas menos da metade - 2.125 -, possui estrutura de banda larga. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 16,9% dos domicílios do País tinham microcomputador com acesso à internet em 2006. As regiões mais carentes de acesso à web correspondem às de mais baixo poder aquisitivo: Norte e Nordeste, onde respectivamente só 6% e 6,9% das residências eram equipadas. O Sudeste (23,1%) era, na pesquisa do IBGE, a região mais conectada à rede mundial de computadores. Área rural de fora O governo ainda estuda fórmulas para garantir banda larga às escolas localizadas no meio rural, que ficaram de fora do programa nesta fase inicial. De acordo com o Ministério da Educação, o Brasil possui 168.436 escolas públicas. Desse total, 91.437 estão localizadas na área rural e não terão conexão por enquanto. Em contrapartida, as instalações de telefones públicos previstas para essas regiões foram mantidas. "Existe um consenso sobre a importância da banda larga no desenvolvimento do País e para a educação. Qualquer iniciativa de oferta de banda larga é muito positiva", comentou Tude. Leia mais na página C5 (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 2)()