Título: Greenspan prevê estabilização de preço de imóveis antes de 2009
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 09/04/2008, Internacional, p. A13

O ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos), Alan Greenspan, disse que o processo de queda dos preços dos imóveis residenciais nos Estados Unidos deverá terminar "muito antes" do início do ano que vem, contribuindo para a recuperação da economia do país, diante da diminuição do número de unidades habitacionais no mercado. "Antes do início de 2009 estaremos próximos de ter eliminado a maior parte desse" estoque de moradias, disse Greenspan numa conferência realizada ontem em Tóquio sob o patrocínio do Deutsche Bank e co-patrocinada pela Bloomberg LP. "Mas é muito provável que os preços das casas se estabilizem bem antes disso." Greenspan acrescentou que a extensão dos estragos causados pelo colapso do mercado do crédito imobiliário de alto risco (subprime) permanecerá desconhecida por vários meses. Ele descreveu a crise do crédito como a pior dos últimos 50 anos, corroborando a avaliação dos economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Não assistiremos a uma recuperação dos mercados enquanto os preços dos imóveis residenciais não se estabilizarem", disse Glenn Maguire, economista-chefe para a Ásia do Pacífico da Société Générale de Hong Kong. "Se Greenspan estiver certo, conviveremos com a fragilidade da economia até o final de 2008." "Assim que os mercados começarem a se estabilizar, principalmente se as economias reais não entrarem numa grave recessão, podemos prever que começará a ocorrer uma recuperação", disse Greenspan, 82, via satélite a partir de Washington. "Será um fenômeno lento, hesitante." Queda acentuada Em fevereiro, o número de norte-americanos que estão assinando contratos de compra de casas usadas caiu mais que o previsto, indicando que não há sinal de que a recessão do mercado americano de imóveis, que já dura 3 anos, tenha chegado ao fundo do poço. O índice da Associação Nacional das Imobiliárias dos Estados Unidos dos acordos de compra firmados caiu 1,9%, para 84,6 pontos, o menor cômputo desde 2001, quando teve início esse tipo de registro, disse ontem o grupo. O recuo segue-se ao aumento corrigido de 0,3% em janeiro. A persistência da queda das vendas deverá estimular novas perdas no valor dos imóveis, agravando a retração dos títulos lastreados em crédito imobiliário que já causou US$ 232 bilhões em baixas contábeis de ativos e prejuízos com operações de crédito. Os operadores prevêem que o Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos) terão de baixar as taxas de juros em pelo menos 0,25 de ponto percentual este mês para amortecer a desaceleração da economia norte-americana. Limite inferior "Procurar um limite inferior para a crise do mercado de imóveis residenciais é um pouco prematuro", disse Drew Matus, economista-sênior do Lehman Brothers Holdings Inc. de Nova York, em entrevista concedida à TV Bloomberg. "Os preços tendem a baixar, e prevemos que isso persistirá por algum tempo." Os economistas tinham previsto que o indicador cairia 1% em relação à situação inalterada originalmente atribuída a janeiro, segundo a mediana de 29 estimativas captadas em pesquisa da Bloomberg News. Comparativamente a fevereiro do ano passado, o índice teve queda de 21%. A associação das imobiliárias prevê que as vendas de casas usadas cairão para 5,39 milhões em 2008, comparativamente aos 5,65 milhões do ano passado. As compras de unidades residenciais novas recuarão para 576.000, em relação às 775.000 de 2007, disse o grupo. (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 13)(Bloomberg News)