Título: Serra diz que, se eleito, não deixará a prefeitura em 2006
Autor: Wallace Nunes
Fonte: Gazeta Mercantil, 15/09/2004, Política, p. A-7

Tucano evocou Deus e fez críticas à atual administração petista. O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, afirmou ontem que não vai deixar o cargo, se eleito, em 2006 para concorrer ao governo do Estado ou à Presidência da República. "Só se Deus me tirar a vida. Só saio se houver uma desgraça que me envolva", disse o candidato

Ele negou que esconda da biografia do deputado Glberto Kassab (PFL) -candidato a vice-prefeito- o fato de ter sido secretário do ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000). Serra também negou irregularidades com o patrimônio de Kassab, que é investigado pelo Ministério Público. "O Kassab apresentou elementos. Outros políticos também tiveram aumento de patrimônio. O importante para o aumento de patrimônio é ter explicação. O problema é se foi de forma ilegal." O ex-ministro descreveu Kassab como homem experimentado ao mencionar as suas qualidades para assumir a vice-prefeitura.

Serra criticou a forma como a prefeita Marta Suplicy (PT), que concorre à reeleição, aplica os recursos para a educação. "O Centro Educacional Unificado (CEUs) tem 5% dos alunos e consome 40% do custeio. Os demais alunos têm 60% do custeio."

O candidato tucano criticou também as obras do túnel da avenida Rebouças, região Oeste da cidade, recém-inaugurada pela prefeita. "O túnel é a distância mais curta entre dois engarrafamentos". Segundo o tucano, a prefeitura deveria ter investido em parceria com o Estado na ampliação das linhas de metrô. "A prefeitura tem de entrar no metrô."

Serra também fez críticas ao gerenciamento do trânsito da cidade ao afirmar que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) é uma boa empresa, mas vem sendo sucateada ao longo dos tempos. O tucano também defendeu para o tráfego de caminhões na cidade de São Paulo, principalmente para os de transporte de carga pesada. "Tem que haver restrições. O transporte para os grandes caminhões terá de ser feito à noite. Durante à noite até às 7h da manhã." O tucano defendeu a utilização de grandes avenidas de São Paulo como espaços de lazer nos finais de semana. "É simpático ter espaços para lazer. É preciso olhar do ponto de vista das opções. Sou a favor de áreas de lazer."

Dona Marta

O candidato do PSDB negou que tenha usado de forma ofensiva o termo "dona Marta" ao se referir à prefeita de São Paulo. "Eu não a desqualifiquei. A Ruth Cardoso, ex-primeira-dama, nunca se sentiu ofendida de ser chamada de dona Ruth. Eles (o PT) estão loucos para achar coisas desse tipo para dizer: olha lá o machismo."

Segundo ele, foi o PT que introduziu a figura do marido de Marta -Luiz Favre- na campanha. "Não considero importante a questão conjugal na disputa eleitoral. Não há padrão sobre se separou ou não para ser bom prefeito. Quem quer que faça parte da campanha do PT, que levaram o caso do marido para a TV."

Dívida pública

Serra criticou os gastos da atual administração feitos às vésperas da eleição. "Agora ela (Marta) faz obra porque está endividando mais a cidade e não porque tem mais dinheiro." Ele afirmou que o problema da dívida de São Paulo não é o seu estoque, mas sim o déficit corrente. "O déficit corrente, os gastos além das receitas, que estão caminhando para R$ 1 bilhão em 2004", concluiu o candidato tucano.