Título: BC tem pânico de inflação, diz Moodys
Autor: Carvalho, Jiane
Fonte: Gazeta Mercantil, 24/04/2008, Finanças, p. B1
São Paulo, 24 de Abril de 2008 - O aperto monetário promovido pelo BC (Banco Central), que elevou a Selic em meio ponto percentual para 11,75% ao ano, foi "desnecessário". Na avaliação da agência de classificação de risco Moody¿s, o Brasil não passa por um problema inflacionário e a elevação do juro poderá "trazer implicações econômicas mais adiante". Estas foram algumas das conclusões do relatório sobre a economia brasileira divulgado pela Moody¿s. Para o economista-chefe para a América Latina, Alfredo Coutiño, responsável pelo relatório, o BC agiu precipitadamente. "De fato, neste início de ano houve uma leve retomada da inflação, usado para justificar um desnecessário aperto monetário", avalia Coutiño. "As justificativas do BC não são corretas e não se sustentam." No relatório da Moody¿s, o economista questiona a idéia de que existe uma pressão de demanda, outro argumento para a elevação da Selic. "O mercado pedia um aumento argumentando que as pressões da demanda são a causa principal dos aumentos dos preços, entretanto, não há uma demanda excessiva na economia, ao contrário, há uma oferta excessiva", diz Coutiño. Para o economista-chefe da Moody¿s para a América Latina, só o "pânico" justifica o aperto monetário promovido pelo BC. "Como a inflação não constitui um efeito da demanda, a política monetária não terá nada a fazer diante da insignificante inflação", diz o executivo. "A decisão do BC não apenas lança dúvidas, como também indica que o banco central foi contaminado pelo pânico inflacionário injustificado do mercado", diz Coutiño. Apesar das críticas ao aperto monetário, Alfredo Coutiño acredita que o afrouxamento da política monetária começa ainda este ano. "No segundo semestre, provavelmente no quarto trimestre o BC deve voltar a cortar os juros", diz. "Agora, se o BC insistir na política de juro alto terá conseqüências para a moeda, as contas externas e o crescimento do PIB." País resiste à crise O relatório de Moody¿s também avaliou os potenciais reflexos na economia brasileira da crise global, desencadeada pelos problemas no mercado americano de hipotecas. Na visão da agência de rating, o Brasil tem condições de resistir. "Apesar dos efeitos de uma recessão americana, a economia brasileira continuará avançando e ainda apresentando um vigoroso crescimento este ano, embora a atividade deva desacelerar", consta do relatório. "O desempenho no longo prazo dependerá de novas reformas, da capacidade de poupar e de novos investimentos", pondera a agência Moody¿s. Para Coutiño, a disciplina fiscal e monetária ajudam o País neste momento. "O Brasil é hoje muito diferente do que há 10 ou 20 anos. Existe uma conduta responsável das políticas monetária e fiscal, o que fará o País continuar atraindo capital externo", diz. "É claro que a economia estará sujeita aos efeitos negativos da recessão americana, mas num grau menor." No relatório, a agência cita como determinantes para o Brasil resistir à crise os superávites comercial e fiscal, o elevado nível de reservas e a inflação sob controle. A previsão da agência para o crescimento do PIB brasileiro em 2008 é de 4,8%, inferior aos 5,4% de 2007. "Este ano, o crescimento do PIB será sustentado, basicamente, por fatores internos, como o consumo privado, investimento e aumento dos gastos públicos", diz o executivo. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)(