Título: Tensão política se aprofunda e Morales defende diálogo
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Fonte: Gazeta Mercantil, 06/05/2008, Internacional, p. A13
La Paz e Santa Cruz, 6 de Maio de 2008 - A crise política na Bolívia se intensificou ontem, com o governo insistindo na necessidade de impor a Constituição socialista e a oposição ratificando que seguirá com os planos de que os mais ricos departamentos do país declarem sua autonomia. O presidente Evo Morales, por meio de declarações do porta-voz, Ivan Canelas, disse que o governo aguarda um chamado dos prefeitos (cargo que corresponde ao de governador) "para marcar hora e local de uma reunião." Um dia depois de o distrito de Santa Cruz, a capital econômica da Bolívia, votar em um referendo a favor de reduzir sua dependência do governo central, os partidos governista e da oposição voltaram a discutir sobre como levar adiante o país mais pobre da América do Sul. Para o governo esquerdista, o estatuto de autonomia que os habitantes de Santa Cruz aprovaram no domingo passado é, além de ilegal e separatista, "inaplicável", já que a elevada abstenção na consulta popular demonstra que carece de consenso básico. No entanto, a oposição reafirmou que outros três distritos no leste do país, dos nove que têm a Bolívia, vão realizar, nos próximos meses, referendos de autonomia para frear as ambições centralistas do presidente Evo Morales, que com a nova Constituição procura dar base legal para a nacionalização da economia e dar mais poder para a maioria indígena. "Esse governo é míope. Ele (Morales) não reconhece a vontade popular (...) Não está entendo o processo de deslocamento de hegemonia que se vem ocorrendo no país", ressaltou Ernesto Suárez, prefeito do departamento de Beni, para um canal de televisão local. Morales, que havia pedido abstenção em Santa Cruz, disse na noite de domingo que a consulta foi um fracasso. Os EUA, a quem Morales e seu principal aliado - o presidente da Venezuela, Hugo Chávez - acusam de ter incentivado o referendo, pediram para as forças políticas na Bolívia aceitarem o diálogo."À luz do referendo de Santa Cruz, os EUA incentivam o governo da Bolívia e a oposição a voltar ao diálogo e a resolver as diferenças de forma pacífica e duradoura", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey. Investimentos na Entel Também ontem o presidente Evo Morales, anunciou que o governo disponibilizou US$ 30 milhões para ampliar os serviços da Entel, companhia telefônica recém nacionalizada por decreto no dia 1º de maio passado. Em visita à sede da Entel em La Paz, Morales também garantiu estabilidade aos trabalhadores da empresa e pediu-lhes evitar sabotagens. Em um breve discurso diante de alguns dirigentes e trabalhadores da companhia, o chefe de Estado boliviano reiterou que a nacionalização se deve ao fato de a telefonia ser "um direito humano", assim como a energia e a água. "Temos US$ 30 milhões disponíveis e agora precisamos que os técnicos ajudem-nos a priorizar (a utilização dos recursos), mas com a condição de que se ampliem os serviços", declarou Evo Morales. (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 13)(Reuters e Ansa)