Título: IIF critica decisão da Argentina sobre FMI
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Fonte: Gazeta Mercantil, 15/09/2004, Finanças & Mercados, p. B-2
O Instituto de Finanças Internacionais (IIF, em inglês), que representa mais de 330 bancos em 60 países, considerou ontem "muito desaconselhável" a decisão da Argentina de interromper seu programa de crédito com o FMI.
"Sem a colaboração e a credibilidade do Fundo trabalhando com a Argentina, para mim é difícil ver (as autoridades argentinas) percorrendo o caminho que elas mesmas traçaram como objetivo: uma recuperação forte e sustentável que abra a porta aos mercados de capitais", afirmou Charles Dallara, diretor-gerente do IIF.
"Acho que se afastar do FMI certamente não aumentará as perspectivas de êxito com os credores", acrescentou.
Buenos Aires anunciou no mês passado uma suspensão temporária de seu acordo creditício com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O país quis ficar livre para apresentar uma oferta de reestruturação da dívida aos possuídores de bônus de dívida em moratória desde o final de 2001, que chegam a cerca de US$ 100 bilhões.
A Argentina não receberá novos recursos do FMI enquanto durar a suspensão de pagamentos, mas permanecerá abonando suas amortizações obrigatórias por empréstimos anteriores.
O governo argentino solicitou o adiamento dos pagamentos voluntários, que chegam a 1 bilhão de dólares até o fim do ano. O FMI ainda não respondeu oficialmente a este pedido.
Enquanto isso, a Argentina finaliza a proposta que apresentará em breve aos credores privados. O governo propõe pagar 25% do valor dos títulos em suspensão de pagamentos, enquanto eles desejam recuperar pelo menos 65%.
"A última oferta da Argentina não é muito convincente", disse Dallara. "Acho que ainda não houve nenhuma negociação real entre a Argentina e seus credores. É difícil imaginar como estes problemas poderão ser resolvidos sem negociações de boa fé", disse.
A Argentina é obrigada a negociar "de boa fé" com os detentores de bônus, segundo o acordo assinado com o FMI em setembro de 2003. Mas se está negociando ou não é um dos assuntos que abalaram a relação entre as partes.
O diretório do FMI deveria ter aprovado a terceira revisão do convênio com a Argentina em meados de junho. Depois disso, teria posto à disposição da Casa Rosada um empréstimo de US$ 719 milhões.
Mas o Fundo não deu sua autorização ao desempenho do país no âmbito de sua negociação com investidores privados.
O FMI também não aprovou as reformas fiscais e do setor bancário, nem a revisão do plano energético e da política sobre as empresas de serviços públicos. O IIF concorda com esta postura e considera que a Argentina não cumpriu suas promessas nessas áreas.
Ele disse que o FMI é obrigado a não desembolsar mais empréstimos se a Argentina não atingir as metas estipuladas. "E francamente nos anima ver que os gerentes do FMI parecem ver isso da mesma forma". As declarações contrastam com as críticas que o instituto fez no início do ano, quando manifestou que o FMI violava suas próprias normas já que "empresta a devedores".