Título: Bloco andino mais perto da União Européia
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Fonte: Gazeta Mercantil, 19/05/2008, Internacional, p. A11

19 de Maio de 2008 - As negociações para um acordo comercial entre a União Européia (EU) e a Comunidade Andina de Nações (CAN) - bloco formado por Peru, Colômbia, Equador e Bolívia - deram sinais de avanço maiores do que as com o Mercosul no último final de semana em Lima. Representantes dos blocos realizaram reuniões paralelas à V Cúpula de América Latina e Caribe e União Européia (ALC-UE), na semana passada, na capital do Peru. Os presidentes e líderes de governos presentes e representantes dos 27 países da UE e dos 33 países da ALC assinaram a Declaração de Lima, documento que em seu primeiro item "enfatiza a prioridade política de que se concluam as negociações de acordos de associação da UE com a CAN e América Central, e que se retomem as negociações com o Mercosul". A declaração também enfatiza o combate à pobreza e estabelece que "se deve gerar crescimento econômico sustentável, com impacto distributivo, preservando a política macroeconômica coordenada e um clima seguro para investimento". A reunião preparatória e a minicúpula UE-Mercosul foi coordenada pela Argentina, atual presidente do bloco sul-americano, integrado também por Brasil, Paraguai e Uruguai. O comunicado dos dois blocos divulgado no sábado (17), todavia, não registrou avanço nas negociações bilaterais, estagnadas desde 2004. O documento da minicúpula UE-Mercosul prevê a organização de uma reunião do Conselho de Cooperação no segundo semestre deste ano, sem data ou local definido. Já os presidentes do Peru, Alan Garcia, e da Bolívia, Evo Morales, anunciaram que a minicúpula UE-CAN definiu uma nova data, 12 de junho, para a elaboração de um instrumento significativo pelos negociadores. "Nesta data vamos apresentar uma forma concreta para a aprovação do acordo entre os dois blocos", afirmou Garcia, acrescentando que os três polares seriam mantidos: diálogo político, cooperação para o desenvolvimento e comércio. Esse avanço maior com a CAN do que com o Mercosul foi previsto pelo presidente da comissão organizadora da V Cúpula no Peru, Ricardo Vega Llona. "Nós da CAN estamos com as conversas mais adiantadas", afirmou. Rafael Correa, presidente do Equador, ao desembarcar em Lima, disse que era a favor do comércio com a UE, "mas era contra o livre comércio". Os negociadores dos dois blocos reiteraram o interesse em concluir um acordo "ambicioso e equilibrado", mas condicionado à conclusão do diálogo multilateral da Rodada Doha, para a liberalização do comércio global no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ao longo da semana passada, nas reuniões preparatórias para a minicúpula UE-Mercosul levantou-se a necessidade e já não mais a oportunidade para a conclusão de Doha. Para alguns especialistas, s eleições presidenciais dos Estados Unidos, em novembro, será o marco definitivo para o sucesso ou o fracasso da agenda Doha, iniciada em 2001. Assim como a UE, os maiores concessores de subsídios agrícolas, que distorcem a competitividade dos países mais pobres no mercado internacional. A presidente chilena, Michelle Bachelet, anunciou no sábado, após encontro bilateral com a UE, o comprometimento juntamente com o bloco europeu em avançar na Rodada Doha para encontrar "uma resposta ao problema dos preços dos alimentos", tema que, aliás, dominou grande parte do diálogo da V Cúpula ALC-EU. Para o presidente do Conselho de Relações Internacionais da Fecomércio de São Paulo, Mario Marconini, o momento não é o mais propício para se retomar as negociações UE-Mercosul. Marconini participou de um Fórum Empresarial Mercosul-União Européia, realizado paralelamente à cúpula ALC-UE, em Lima. Segundo ele, os participantes do encontro encaminharam um documento aos chanceleres dos dois blocos pedindo a retomada das negociações. R.H. (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 11)(R.H.)