Título: Operações de crédito somam R$ 1 trilhão no mês de abril
Autor: Monteiro, Viviane
Fonte: Gazeta Mercantil, 28/05/2008, Finanças, p. B1

Brasília, 28 de Maio de 2008 - O Banco Central informou que as operações de crédito do sistema brasileiro atingiram a marca histórica de R$ 1 trilhão em abril. No mês, os empréstimos totalizaram R$ 1,017 trilhão, o equivalente a 36,1% do Produto Interno Bruto. É a maior variação como proporção ao PIB desde janeiro de 1995 (36,8%). O percentual se aproxima da meta da autoridade monetária, de 40% do PIB para 2008. Em relação a março, a concessão de crédito subiu 2,5% e 30,9% nos últimos 12 meses até abril. No quadrimestre, a alta dos empréstimos foi de 8,7%. Desde abril do ano passado, quando os volumes eram de R$ 777,3 bilhões, o equivalente a 31,6% do PIB, houve um adicional de crédito na praça de quase R$ 300 bilhões. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, afirma que a expansão significativa dos empréstimos no mês passado já era prevista pelo Banco Central. E o resultado demonstra que as operações estão convergindo para a meta estipulada para este ano, de 40% do PIB. "Estamos seguindo a trajetória (da meta)", diz Lopes. Apesar da pujança do crédito, Lopes aponta o início de uma acomodação do ritmo de crescimento das operações de crédito às pessoas físicas. "Não digo que o crédito à pessoa física chegou perto da acomodação; ele ainda não chegou ao limite, pois ainda há espaço para ele crescer", diz. "Mas terá taxas de crescimento mais moderadas." Ao avaliar o cenário, Lopes leva em conta a acomodação da taxa de crédito consignado que antes crescia a taxas acentuadas e vinha impulsionado o total de crédito à pessoa física. "Pode ser que o crédito consignado (em menor ritmo) possa reduzir a margem para outras concessões", emenda. Porém, a demanda de pessoas jurídicas pelo crédito, principalmente para capital de giro, deve se manter aquecida no decorrer do ano em decorrência do dinamismo da atividade econômica. A demanda é pelo crédito doméstico, cujo custo está mais baixo do que o externo, encarecido pelo fim da isenção de 1,5% da taxa de IOF. Lopes acredita ainda na continuidade forte da demanda por operações de leasing, sobretudo para aquisição de veículos, tanto de pessoas físicas como jurídicas. Tais operações oferecem algumas vantagens nas contratações, como da não incidência do IOF. Lopes vê uma estabilidade tanto nos prazos concedidos nas operações como na inadimplência em todas as categorias e apenas uma pequena oscilação nas taxas de juros. A exceção é do cheque especial, que atingiu 152,7% ao ano em abril, a maior desde agosto de 2003, que foi de 163,9%. Mas ainda longe do pico histórico ocorrido em julho de 1994, quando situou-se em 294% ao ano. Em abril, a taxa de juro do cheque especial subiu 11,8% nos últimos 12 meses, 2,9% em relação a março e acumulou no ano alta de 14,6%. Para Lopes, a taxa do cheque especial subiu pela procura de crédito "complementar" de renda no mercado. Sem fazer previsões para as possíveis elevações da Selic, o chefe do Departamento Econômico do BC diz que a partir de agora quaisquer oscilações do juro nas operações de crédito vão depender dos movimentos dos custos de captação do mercado. Apesar da avaliação conservadora de Lopes para operações de crédito às pessoas físicas ao longo de 2008, os dados do Banco Central mostram que nos últimos 12 meses, até abril, período que reflete a tendência de longo prazo, as operações de crédito permanecem elevadas em todos os segmentos, inclusive para pessoa física. A nota da autoridade monetária afirma que os empréstimos às pessoas físicas atingiram em abril R$ 346,9 bilhões, um aumento de 2,7% em relação a março, de 34,1% nos últimos 12 meses; e 9,3% no primeiro quadrimestre do ano. No caso, das operações de leasing de pessoa física subiram 124,1 nos últimos 12 meses, 7,2% em relação a março e acumularam alta no ano de 29,1%. Já os empréstimos às pessoas jurídicas totalizaram R$ 378,5 bilhões em abril. A cifra subiu 35,7% nos últimos 12 meses, 2,9% em relação a março e acumulou no ano alta de 10,3%.(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)()