Título: Nova missão vai à Rússia e Portugal
Autor: Gisele Teixeira
Fonte: Gazeta Mercantil, 16/09/2004, Nacional, p. A-8

As viagens acontecem entre os dias 10 e 19 de outubro e também incluem a RomêniaEventos ocorrem em paralelo à passagem de José Alencar por esses mesmos países. Rússia, Romênia e Portugal são os próximos destinos das missões comerciais do Ministério das Relações Exteriores. As viagens acontecem de 10 a 19 de outubro, em paralelo à visita do vice-presidente José Alencar a estes países. O objetivo é reforçar a estratégia de buscar mercados menos tradicionais para produtos brasileiros, mas também divulgar oportunidades de investimentos no Brasil para parceiros de longa data, como é o caso dos empresários portugueses, em especial na área de turismo.

Estudos do Itamaraty revelam que os produtos com maior potencial de negócios nesta missão são os ligados ao agronegócio, como carnes, alimentos processados, cítricos, soja e derivados, entre outros. Mas há espaço também para segmentos em que o Brasil se destaca, como soluções de automação bancária e softwares em geral. Isso sem falar de nichos menos convencionais na pauta de exportações, como brinquedos e equipamentos médico-hospitalares.

O executivo Rodolfo Pascotto, por exemplo, seguirá com a delegação para vender um artigo bem mais específico: amplificadores.

Diretor técnico da empresa Machine, Pascotto é um estreante em missões comerciais e quer aproveitar os contatos em Portugal como porta de entrada para a União Européia, além de sondar mercados que não conhece, como os do bloco asiático. "Nosso potencial de negócios é imenso, e vai desde hospitais e aeroportos a restaurantes e igrejas", diz. Segundo o empresário, a empresa já é a segunda do segmento no mercado nacional.

Na Rússia, os compromissos começam no dia 11 e irão se concentrar em Moscou e São Petersburgo. Serão realizados um seminário sobre oportunidades comerciais e três workshops, nas áreas de tecnologia da informação (software e governo eletrônico), agronegócios e energia, além de encontros entre empresários russos e brasileiros. Segundo o Itamaraty, o comércio bilateral entre os dois países, que chegou a US$ 2,05 bilhões em 2003, tem enormes chances de crescer, principalmente com a expectativa de crescimento do país este ano, estimado em 4,2%.

Até agora, as exportações brasileiras para a Rússia são dominadas por produtos agroindustriais. Dados de 2003 revelam que os principais produtos da pauta foram cana-de-açúcar (45%) e carnes (40%), e chegaram a US$ 1,5 bilhão ¿ um crescimento de 19,77% em relação a 2002. As importações brasileiras, de US$ 555 milhões em 2003, foram basicamente de produtos e insumos químicos.

Em Bucareste, cidade em que a delegação estará entre os dias 14 a 16 de outubro, os compromissos serão bem mais políticos do que empresariais, principalmente porque o comércio com a Romênia é ainda muito pequeno ¿ o país ocupa a 63 posição entre os parceiros comerciais do Brasil.

Mas já há dez empresas inscritas para as rodadas. É uma chance de começar a diversificar a pauta que, por enquanto, é extremamente concentrada. O Brasil exportou em 2003 US$ 246 milhões, sendo 75% das vendas foram de bagaços da extração do óleo de soja, açúcar de cana e minério de ferro. Já exportam para a Romênia companhias como Bunge Alimentos, Sadia e Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).

O principal encontro deve acontecer em Lisboa, entre os dias 17 e 19 de outubro, e terá um perfil bem diferente do que o dos dois outros países, mais focados no estreitamento de uma balança comercial ainda incipiente. No primeiro dia será realizado o seminário "Portugal: uma plataforma de negócios brasileiros na União Européia".

De acordo com o Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, a idéia é que os empresários nacionais tomem conhecimento dos tipos de financiamento que a União Européia está destinando a países específicos do bloco, e assim possam pegar carona neste barco, principalmente por meio da formação de joint-ventures.

O governo brasileiro também fará um trabalho para captação de novos investimentos portugueses no Brasil, em especial na área de turismo. De janeiro a julho deste ano, os investimentos diretos portugueses em solo nacional aumentaram 178,5% em relação ao mesmo período de 2003, atingindo 214 milhões de euros, segundo dados do Banco Central (BC). O valor colocou Portugal em sexto lugar no ranking dos maiores investidores em 2004, com 3,8% do total.

kicker: Eventos ocorrem em paralelo à passagem de José Alencar por esses mesmos países