Título: Futuro das investigações de denúncias ainda é incerto
Autor: Falcão, Márcio
Fonte: Gazeta Mercantil, 12/06/2008, politica, p. A10
Brasília, 12 de Junho de 2008 - O futuro das investigações de influência da cúpula do governo na venda das companhias aéreas Varig e VarigLog ainda está indefinido. Governo e oposição não se entendem. E desta vez para deixar o cenário mais incerto, o discurso dos próprios oposicionistas não está afinado. O motivo de tantas dúvidas é a avaliação do depoimento de ontem da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, na comissão de Infra-Estrutura do Senado. Denise, ao contrário do que se esperava, não trouxe novidade, nem apresentou provas. Desembarcou em Brasília com 30 quilos de documentos, exigiu três maquinas de fotocópia a sua disposição, mas não apresentou nenhum papel impactante. A ex-diretora da Anac foi objetiva e detalhista ao reafirmar que a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, não a ordenou diretamente, mas trabalhou para que o processo da venda ao fundo norte-americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros fosse acelerado. Para se ter uma idéia, da negociação até a oficialização da compra foram quatro meses, enquanto o processo mais rápido registrado até então tinha sido o da Gol, que durou nove meses. A falta de provas serviu de artilharia para os governistas que defenderem o enterro das acusações de Denise. "O governo não tem nada a esconder. Ficou tudo esclarecido. O governo agiu em defesa da sociedade - destacou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). A oposição, diante da riqueza de detalhes e da segurança demonstrada pela ex-diretora, acredita que as acusações merecem ser investigadas por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Agora, tucanos e democratas discordam de quando começariam as investigações. Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), avalia que a melhor data para a instalação de uma CPI é após as eleições de outubro. "CPI não é para agora. Depois das eleições, chegaremos com o requerimento pronto", defendeu o tucano. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pede uma instalação imediata. "Não tem que esperar nada. Em cima do calor, às vezes, não dá em nada, imagina se esperar", argumentou. No depoimento de ontem, a ex-diretora da Anac deixou ou governistas em alerta com a divulgação de um e-mail - supostamente direcionada a ministra Dilma - no qual o ex-presidente da agência reguladora, Milton Zuanazzi, confirmaria a influência do governo. O documento, que consta apenas em um papel oficio sem nenhuma identificação da autoria, traz o seguinte trecho: "Obedeci, sim, as determinações do governo e tuas porque sou companheiro teu, do governo, e desse movimento ao qual me filiei junto contigo e a `turma da alpagarta¿ desde minha juventude. Obedeci e obedecerei". Zuanazzi negou. "Eu me nego a falar de um documento apócrifo que não existiu", declarou. Até o fechamento desta edição ele ainda estava depondo. Outros seis depoimentos estavam previstos. (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 10)()