Título: Novo recorde do petróleo e dados sobre preços balizam negociações
Autor: Góes, Ana Cristina
Fonte: Gazeta Mercantil, 12/06/2008, Finanças, p. B2

São Paulo, 12 de Junho de 2008 - Uma nova alta recorde no preço do barril de petróleo WTI no pregão de Nova York - a commodity fechou com valorização de 3,9% para US$ 136,38 - e dados de inflação doméstica acima do esperado impuseram um clima de pessimismo no mercado, levando a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) a encerrar em território negativo, abaixos do nível psicológico dos 70 mil pontos. O índice paulista fechou em baixa de 1,45%, nos 66.794 pontos. O mercado doméstico guarda com expectativa a divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, marcada para hoje. O Colegiado dará informações sobre a última elevação na taxa Selic em 0,5 ponto percentual para 12,25% ao ano. Nos Estados Unidos, o anúncio do Livro Bege, relatório elaborado pelas 12 unidades regionais do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), contribuiu para azedar o ânimo dos investidores, levando Wall Street para o vermelho, com quedas superiores a 1%. O Livro Bege confirmou que a economia norte-americana manteve a fraqueza nos meses de abril e maio e que os gastos dos consumidores estão lentos. O mercado já trabalha com a hipótese do Fomc (Comitê de Mercado Aberto) do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) iniciar um ciclo de alta nos juros, que estão atualmente em 2% ao ano, já na próxima reunião, agendada para os dias 24 e 25 deste mês. O anúncio do Departamento de Energia dos Estados Unidos de que os estoques de petróleo cru tiveram queda de 4,6 milhões de barris na semana encerrada no dia 6 de junho contribui para a volatilidade no preço do barril de petróleo e pressiona ainda mais as bolsas em Wall Street. O índice Dow Jones encerrou a sessão em baixa de 1,68%, o índice SP&500 caiu 1,69% e o Nasdaq retrocedeu 2,24%. No front interno, a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de maio acima das projeções surpreendeu o mercado e reforçou as expectativas de que o Copom vai promover um ciclo mais longo com ajustes mais fortes na taxa Selic. "O mercado espera que o Copom atue de modo mais rigoroso", diz o analista da Win, home-broker da Alpes corretora, Fausto Gouveia. "A percepção do mercado é de que o Banco Central pode acelerar o ciclo de alta na Selic", estima o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa. O IPCA de maio registrou elevação de 0,79%, acima das expectativas que eram de 0,65% a 0,7% e também acima dos 0,55% de abril. Foi a maior taxa desde dezembro de 2007. "O IPCA surpreendeu todo mundo. Ninguém estava trabalhando com estes números", diz Rosa. No mercado de juros futuros negociados na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros), os contratos encerraram o dia em alta. O contrato DI de janeiro de 2010, o mais negociado, apontou taxa anual de 14,81%, contra 14,78% do ajuste anterior. O DI de janeiro de 2009 fechou com taxa anual de 13,28%, ante 13,17% do último ajuste. Janeiro de 2012 fechou com juro anual de 14,66%, contra 14,71% do ajuste anterior. Para resgate em julho a taxa ficou em 12,08%, frente aos 12,06% do ajuste anterior. Outubro apontou taxa de 12,62%, ante 12,57% do ajuste da véspera. No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou a sessão de ontem com queda de 0,30%, cotado a R$ 1,639 na compra e a R$ 1,641 na venda. No entanto, a divisa norte-americana acumula ganhos de 0,74% na semana e 0,82% no mês. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)