Título: Fraga defende redução de gasto público para conter inflação
Autor: Monteiro, Viviane
Fonte: Gazeta Mercantil, 08/05/2008, Nacional, p. A5

Brasília, 13 de Junho de 2008 - O ex-presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, disse que a redução dos gastos públicos é uma ferramenta que pode ajudar a controlar a inflação e contribuir para a redução do juro básico da economia (Selic). Uma outra contribuição, diz, poderia, partir da redução da carga tributária. "Não vejo por que o Brasil não pode trazer o juro para o patamar do México", disse Fraga, que elevou a Selic ao patamar histórico a 45% ao ano em 1999, quando presidia a autoridade monetária. Entretanto ele fez um elogio a atual condução da política monetária pelo BC. (ver matéria na página B2 na editoria de finanças) Para o ex-presidente do BC, o ideal é que fosse definido um teto para os gastos públicos, que já chegaram a um certo limite. "Me parece razoável que se determine um teto para o crescimento do gasto. Se o PIB cresce a 5% o gasto precisaria crescer 1% ou 2%", defendeu. Entre uma das medidas, Fraga diz ser necessário melhorar a gestão no número de ministérios. Para ele, é preciso se criar um ambiente positivo para o setor produtivo investir. " Será preciso tomar decisões nos gastos públicos e na reforma tributária. E se as decisões fossem tomadas poderíamos ter um resultado extraordinário", declarou, ao participar de debate na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, no Congresso Nacional. Fraga afirmou existir condições adicionais, com a redução dos gastos públicos e reforma tributária, para que o Brasil tenha sucesso na condução da política monetária e crie um ambiente positivo para setor privado investir, uma vez que a carga tributária brasileira atinge cerca de 40%. "O Banco Central precisa vir acompanhado de política fiscal sólida". Para Fraga, o aumento dos gastos públicos estão "asfixiando a economia" e se tornam m problema para á queda dos juros. O diretor de Normas do BC, Alexandre Tombini, explicou que o Banco Central leva em conta em suas avaliações a política fiscal. E acrescentou que os superávits primários realizados pelo governo tem contribuído para reduzir a participação da dívida pública no PIB. "Isso tem ajudado a economia e a política monetária", declarou. Tombini disse ainda que o Fundo Soberano do Brasil (FSB), em andamento, é um elemento importante que cai contribuir com a redução dos gastos públicos, uma vez que o excedente do superávit primário será destinado a uma poupança pública, cujo recursos serão usados no FSB. Para o ex-presidente do BC, a criação do fundo soberano seria importante se realmente ele absorver recursos provenientes das novas descobertas de petróleo. O Brasil deve se manter atento às ameaças inflacionárias mundiais. Fraga destaca que as crises financeiras representam um custo que ele considerou muito alto e gera inflação. "Todo cuidado é pouco no que diz respeito à estabilidade fiscal e financeira", complementou. Para ele, houve um erro coletivo dos bancos centrais que deixaram a inflação mundial subir porque não deram importância ao índice cheio de inflação. Segundo ele, os bancos centrais se concentraram apenas no núcleo de inflação de alimentos e petróleo. "Eu penso que os bancos centrais viram o aumento nos preços de petróleo e alimentos e acharam que fossem um choque de oferta. Mas não houve choque de oferta, não faltou mercadoria", declarou o ex-presidente do BC. Para ele, os bancos centrais de alguns países, como foi o caso do Estados Unidos, chegaram até a baixar o juro, sem focar a inflação. "A política dos bancos centrais, quando vistas de uma forma global, foi um pouquinho frouxa". Fraga diz que só agora tais instituições começam a se preocupar com as ameaças inflacionárias. "Os bancos centrais se falam entre eles e, nas últimas semanas, quando se vê a crise se arrefecer um pouco nota-se que os bancos centrais estão com um discurso mais duro", disse. (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 5)()