Título: Funcef vai investir R$ 520 milhões em imóveis este ano
Autor: Filgueiras, Maria Luíza
Fonte: Gazeta Mercantil, 17/06/2008, Governança Corporativa, p. B4

São Paulo, 17 de Junho de 2008 - A Fundação dos Economiários Federais (Funcef), terceiro maior fundo de pensão do país, quer incrementar sua carteira imobiliária com investimento de R$ 520 milhões este ano. O volume dará ao fundo uma carteira de ativos imobiliários de R$ 2,2 bilhões até o final do ano, já que o portfólio atual é de R$ 1,7 bilhão. A decisão foi estimulada pelo o resultado recorde do ano passado, o maior retorno na carteira imobiliária em seus 30 anos de história. Com rentabilidade de 28,2% nas aplicações, a Funcef ultrapassou em 17,3% a meta atuarial do ano, de 10,9% (INPC + 5,5%). Depois de rever as estratégias no segmento de hotelaria, que une imóvel e serviço, com contratos de alta expectativa com administradoras de bandeiras, está voltando as atenções para imóveis de varejo. A maior parte do volume de recursos previstos para este ano será destinada a shopping centers e centros comerciais de rua, os chamados "strip center", no ABC Paulista, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. "Do volume já aprovado, R$ 120 milhões são para hotelaria econômica e R$ 100 milhões para shoppings de conveniência e empreendimentos de logística. Dos demais R$ 300 milhões, 50% ficará em imóveis de varejo", afirma Jorge Arraes, diretor de investimentos da Funcef. A segunda parte do investimento, entretanto, ainda tem que ser aprovada em conselho de diretoria esta semana. O destino dos investimentos é explicado pela diferença do lucro obtido entre os setores. Segundo Arraes, a Funcef registrou rentabilidade líquida de 13% em hotelaria e 47% nos shoppings. A investidora quer elevar a participação em auto-shoppings (venda de automóveis novos e usados), graças ao desempenho do Auto-Shopping Global, em Santo André. Em Diadema, vai construir um novo empreendimento em 2009, o Shopping Praça da Moça. Na carteira da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), os shoppings também têm ganhado participação relevante. Na carteira imobiliária de 2007, representavam 28,6%, enquanto os hotéis ficaram com fatia de 11,32%. Gestão ativa O retorno total recorde, para o executivo, tem três motivos. "É uma união entre gestão, conjuntura econômica e conseqüente aquecimento imobiliário e de varejo, com expansão de shoppings", avalia. Como a tendência é a manutenção desse cenário, o fundo resolveu aumentar as fichas no segmento. Com o alto volume de investimentos, a Funcef manteve praticamente inalterada a equipe interna. O que mudou, calejada pela experiência na hotelaria (que rendeu uma longa briga com a Blue Tree devido aos rendimentos aquém do esperado), foi colocar um funcionário da companhia em cada empreendimento, para acompanhamento direto na gestão e interferência na mesma quando necessário. A primeira experiência nesse sentido foi feita em Angra dos Reis, no hotel então operado pela Blue Tree e de propriedade da Funcef, que aprovou o teste de administração conjunta. O patrimônio total da Funcef, ao término de 2007, era de R$ 32,2 bilhões. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 4)()