Título: Com novo recorde, cotação já acumula alta de 44% no ano
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Fonte: Gazeta Mercantil, 09/06/2008, Infra-estrutura, p. C2

Nova York, 9 de Junho de 2008 - O preço do petróleo subiu mais que US$ 10 na sexta-feira, para um nível recorde, com o enfraquecimento do dólar e um onda de compras após comentários do ministro do Transporte de Israel de que um ataque às instalações nucleares do Irã parece "inevitável". A divisa norte-americana perdeu valor após a divulgação da maior taxa de desemprego já registrada nos Estados Unidos nas últimas duas décadas e também depois de o Morgan Stanley ter dito que os preços do petróleo deverão alcançar US$ 150 dentro de um mês. O contrato de petróleo WTI, negociado na bolsa de Nova York, para entrega em julho subiu US$ 10,75 na sexta-feira, ou 8,4%, para encerrar o pregão ao preço oficial de US$ 138,54 o barril, um novo recorde, superando a marca histórica anterior de US$ 135,09, atingida em 22 de maio. Durante a sessão de sexta-feira, o barril alcançou US$ 139,12. O petróleo mais do que duplicou no último período de 12 meses. No ano, os preços do WTI já subiram 44,3%. Na bolsa de Londres, o petróleo tipo Brent ganhou US$ 10,15, ou 7,96%, fechando a US$ 137,69 por barril, sendo negociado entre US$ 127,23 e US$ 138,12, também registrando um novo recorde. O petróleo pode "disparar""" porque "a Ásia está absorvendo uma parcela sem precedentes""" das exportações do Oriente Médio, disse Ole Slorer, analista do Morgan Stanley. O dólar se enfraqueceu em relação ao euro depois de o índice de desemprego ter-se elevado para 5,5%, sinalizando que o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) pode estar relutando em aumentar as taxas de juros vigentes no país. O petróleo está "sendo usado como meio de proteção dos ativos contra os efeitos da depreciação do dólar por parte dos compradores especulativos", disse Gary Adams, vice-presidente de consultoria em petróleo e gás da Deloitte & Touche LLP de Houston, no estado norte-americano do Texas. "Estamos vendo que o preço vai continuar a subir na medida em que os investidores procuram alternativas", completou. "É o velho e conhecido estouro", disse Tim Evans, analista de combustíveis do Citi Futures Perspective de Nova York, por e- mail. "Os vendedores basicamente retiraram suas ordens de venda, tornando desnecessário comprar muito mais para aumentar os preços", acrescentou. O petróleo também subiu depois que um ministro israelense disse que um ataque ao Irã pode se fazer necessário. Shaul Mofaz, ministro dos Transportes de Israel e um dos candidatos ao posto de primeiro-ministro, afirmou ao diário israelense Yediot Ahronot que Israel terá de atacar o Irã se o país não abandonar seu programa de desenvolvimento nuclear. "O ágio de risco para o Irã, que tinha se retirado do mercado por algum tempo, deverá voltar e pairar sobre o mercado nas próximas semanas", disse Antoine Halff, diretor de pesquisa em combustíveis da Newedge USA LLC de Nova York. "Se Irã continuar com seu programa para desenvolver armas nucleares, nós iremos atacar. As sanções são ineficazes", afirmou o ministro do Transporte Shaul Mofaz ao jornal de grande circulação. "A reação reflexa aos comentários de Mofaz vai arrefecer rapidamente porque Israel não divulgaria sua intenção dessa maneira", afirmou Halff. (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 2)(Reuters e Bloomberg News)

-------------------------------------------------------------------------------- adicionada no sistema em: 09/06/2008 01:34