Título: Preço da energia sobe para R$ 77,02
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Fonte: Gazeta Mercantil, 09/06/2008, Infra-estrutura, p. C2
São Paulo, 9 de Junho de 2008 - O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que é o valor da eletricidade negociada no curto prazo, registrou a terceira alta consecutiva e, nesta semana, será cotado a R$ 77,02 por megawatt-hora (MWh). O novo preço representa um acréscimo de 1% em relação ao valor da semana anterior, de R$ 76,89 por MWh, e um aumento de mais de 49% sobre o valor da última semana de maio, de R$ 51,62 o MWh. Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), órgão responsável pelo cálculo do PLD, "o aumento foi motivado principalmente pela redução da previsão de chuvas nas regiões Sul e Norte do País". Com a entrada do período seco, que normalmente tem duração até o início de outubro, especialistas afirmam que a tendência para o PLD é de elevação. O mercado de curto prazo é movimentado, principalmente, pelos consumidores livres, que não têm vínculo com uma distribuidora e, quando excedem o seu volume de energia contratado, são obrigados a recorrer ao mercado de curto prazo para contratar novas parcelas do insumo. Mercado cativo Em 2008, fatos atípicos balançaram o setor energético nacional. Das 64 distribuidoras de energia instaladas no País, 30 estão descobertas, ou seja, têm menos energia contratada do que o necessário para atender a demanda. Neste caso, as concessionárias também terão que recorrer ao mercado de curto prazo e pagar o valor do PLD para incrementar seus contratos, o que poderá acarretar em um aumento de tarifa aos consumidores cativos - que representam mais de 70% do mercado brasileiro de eletricidade. O buraco na carteira de compras das distribuidoras se deu por conta do fracasso do Proinfa, projeto do governo federal que visa estimular o uso de energia alternativa. As distribuidoras contavam com os megawatts que viriam destes projetos, mas como grande parte deles não saiu do papel, as concessionárias ficaram descobertas. Em janeiro deste ano, o PLD atingiu, por duas semanas consecutivas, seu preço-teto de R$ 569,59 o MWh. A disparada fez o preço fechar a uma média de R$ 502 MWh no mês. Com a forte oscilação, algumas indústrias, como a Novelis, maior produtora mundial de alumínio, paralisaram parte da sua linha de produção com a alegação de que o preço da energia deixaria o produto final pouco lucrativo. Além disso, a alta resultou um fato inédito: o aumento da taxa de inadimplência junto a CCEE. Tradicionalmente, o calote nunca havia passado de 1%, mas nos três primeiros meses de 2008 a taxa ficou em 8,3%, 6,7% e 7,3%, respectivamente. (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 2)(Roberta Scrivano)
-------------------------------------------------------------------------------- adicionada no sistema em: 09/06/2008 01:34