Título: Integração de exércitos será a longo prazo
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Fonte: Gazeta Mercantil, 16/09/2004, Nacional, p. A-8

O ministro da Defesa do Brasil, José Viegas, que está em visita oficial no Uruguai, disse ontem que a integração dos exércitos da América do Sul é um objetivo que será alcançado a longo prazo. "A primeira etapa é a integração comercial, depois virá a macroeconômica e a política, e a etapa militar será o telhado do edifício", disse Viegas à agência de notícias espanhola EFE depois de uma conferência intitulada "Brasil e América do Sul: os desafios de uma política de defesa".

Na segunda-feira passada, os ministros da Defesa do Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia e um alto funcionário do Equador unificaram em Buenos Aires critérios em torno da segurança, a luta contra o terrorismo e a força multinacional no Haiti, tendo em vista a VI Conferência de Ministros da Defesa das Américas, que será realizada em Quito. A agenda da reunião previa um debate sobre a integração, mas Viegas disse à imprensa que o tema não foi abordado com profundidade durante o encontro.

O ministro Viegas considerou "histórico" o fato de ter uma força de paz sob os auspícios da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, composta exclusivamente por sul-americanos e atuando de forma "coerente e articulada". Viegas, entretanto, descartou que isso vá acelerar o processo de integração militar na região.

No Haiti, sob comando do Brasil, há atualmente 1.200 brasileiros, 600 uruguaios, 600 chilenos e argentinos, além dos 300 peruanos que estão para chegar. Espera-se ainda, efetivos de Sri Lanka e Nepal. O Paraguai também está disposto a enviar soldados para integrar a missão de paz no Haiti.

O ministro da Defesa brasileiro foi taxativo ao negar as informações de que o Brasil esteja analisando a possibilidade de ampliar em grande quantidade o contingente de militares no Haiti, e afirmou que o número atual de soldados na missão já é suficiente.