Título: Alimentos mostram leve recuo no varejo e forte alta no atacado
Autor: Salim, Marcel
Fonte: Gazeta Mercantil, 16/05/2008, Nacional, p. A4
São Paulo, 19 de Junho de 2008 - Os preços dos alimentos começaram a mostrar uma leve desaceleração no varejo de São Paulo, mas continuaram em forte alta no atacado, confirmando o cenário previsto por analistas de que o arrefecimento dos índices de inflação será gradual. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de São Paulo, divulgado nesta quarta-feira pela Fipe/USP, subiu 1,26% na segunda quadrissemana de junho, ligeiramente abaixo da taxa de 1,30% registrada na primeira medição do mês. Trata-se do primeiro movimento de desaceleração observado desde a terceira quadrissemana de fevereiro, quando o índice recuou de 0,22% na segunda medição do mês para 0,16%. Já o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) ¿ calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) ¿, avançou 1,96% neste mês, ante 1,52% em maio. Ambos ficaram em linha com a previsão de analistas ouvidos pela Reuters.. O mercado acredita que o ápice da inflação ao consumidor neste ano já ocorreu em maio, mas prevê que os IGPs ¿ compostos em sua maioria pelo atacado ¿, continuarão subindo em junho. Entre as principais forças de resistência estão os alimentos. "Acho que chegamos ao pico (de alta dos preços no atacado em junho), mas acho que a descida do pico vai ser mais gradativa", avaliou Salomão Quadros, da FGV. O IPC, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostrou que os custos de alimentação subiram 3,66%, ante 3,68% na primeira quadrissemana, em razão de uma forte redução no ritmo de aumento dos produtos in natura ¿ que recuou para 1,12% na segunda leitura do mês, frente a 3,02% na primeira. Os preços da classe de despesas vestuário também sofreram desaceleração e registraram inflação de 0,77% na segunda quadrissemana de junho. A taxa é 0,53 ponto percentual menor em relação à inflação de 1,30% registrada na última prévia. Márcio Nakane, economista da Fipe, espera que o grupo dos alimentos encerre junho em alta de 3,02%, em comparação com os 3,17% de maio. Assim, ele reduziu o prognóstico para a inflação em São Paulo neste mês: para 0,98%, ante 1,23% em maio. No entanto, para Nakane a inflação só deverá voltar aos patamares de 2005 e 2006 ¿"auge da eficácia do sistema econômico do governo", de acordo com ele ¿ a partir do segundo de semestre do ano que vem. "Podemos comparar a inflação a um atleta. O atleta diminui a velocidade de sua corrida, mas continua correndo." No IGP-10, os produtos agrícolas no atacado subiram 2,62% em junho, em comparação com a alta de 1,64% anotada em maio. Nos dois índices, as principais altas vieram do arroz e das carnes. Segundo os economistas das duas instituições, os preços do arroz estão começando a dar sinais de um discreto alívio ¿ conforme a Gazeta Mercantil antecipou na edição de ontem ¿, movimento oposto ao mostrado pelas carnes, que enfrentam o período de entressafra no segundo semestre. "O arroz está perdendo força", disse Quadros, da FGV, ponderando que essa pressão pode ser substituída por outra, vinda do feijão. O cenário para os alimentos no segundo semestre é menos pressionado que na primeira metade do ano, afirmou Nakane, da Fipe, calculando que em São Paulo os preços desse grupo devem fechar o primeiro semestre com alta de 8%. Entre os alívios à frente, está a safra brasileira da soja. Com isso, os analistas projetam inflação também menor. Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador referencial do sistema de metas, o economista-chefe do Bes Investimento, Jankiel Santos, espera taxa média mensal de 0,40%, abaixo do valor médio de 0,57% nos cinco primeiros meses do ano. A inflação medida pelo IGP-10 em junho é a maior desde fevereiro de 2003. A taxa acumulada em 12 meses, de 12,71%, é a mais elevada desde novembro de 2003. Na Fipe, a taxa do IPC em 12 meses, de 5,71%, é a maior desde a primeira quadrissemana de agosto de 2005. A alta dos alimentos em 12 meses, de 15,88%, é a mais elevada desde a terceira quadrissemana de outubro de 2003. (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 4)(com Agências - Agência Brasil e Reuters)