Título: Há certo alarmismo em relação à alta de preços, diz Mantega
Autor: Monteiro, Viviane
Fonte: Gazeta Mercantil, 03/07/2008, Nacional, p. A5

Brasília, 3 de Julho de 2008 - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tentou minimizar o impacto do aumento dos preços e afirmou existir um certo "alarmismo" nas avaliações feitas até agora sobre a inflação. Reafirmou, entretanto, que, se for necessário o governo não hesitará em promover novas medidas para combater as altas. "Queremos evitar que haja uma difusão dos preços internacionais para o mercado interno", afirmou. Porém, novamente, negou existirem medidas em estudo para a restrição ao crédito, embora avalie que as taxas de crescimento dos financiamentos sejam significativas. Nos últimos 12 meses, até maio, a alta foi de 32%. O governo quer que a taxa cresça abaixo de 30% ao ano. "A repercussão inflacionária tem sido exagerada e causa quase um pânico na população. Daqui a pouco haverá dona-de-casa fazendo estoques de produtos sem necessidade", disse aos parlamentares, durante audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, para a qual foi convocado para explicar o modelo de fundo soberano que o governo federal pretende implantar no País. (Veja mais na página B-3). Ao destacar que o repique inflacionário é um fenômeno mundial, o ministro argumentou que a atual pressão sobre os preços é proveniente dos custos das commodities, sobretudo de alimentos, petróleo e derivados, e de aço. Aliás, acrescentou, o Brasil é um dos poucos países que conseguirão cumprir a meta de inflação, pelo fato de ser um grande produtor agrícola. O centro da meta é de 4,5% e o teto de 6,5%. "A inflação está subindo na China, na Rússia. No Brasil não, só subiu 1,5%", garantiu. Ao receber críticas de parlamentares de que o controle da inflação se deve ao Plano Real, Mantega reconheceu "que o plano foi eficiente no combate à inflação do Brasil. O ministro afirmou que a maior preocupação do governo é com a inflação do público de baixa renda, que destina grande parte de seu rendimento à compra de alimentos. Ele disse ver riscos na idéia de expurgar, da inflação, os núcleos dos preços dos produtos que mais sobem, pois isso poderia trazer "novas interpretações" de que o governo quer minimizar os picos inflacionários. Mantega insistiu em dizer que a intenção do governo não é a de abortar o crescimento econômico. "Estamos fazendo apenas uma correção das rotas", garantiu, ao estimar uma expansão do PIB este ano entre 4,5% e 5%. Afirmou, porém, que o governo reconhece a gravidade do problema e, por isso, tem adotado medidas necessárias para reduzir a demanda e garantir que a inflação não fuja da meta. Argumentou que este ano o governo já elevou a taxa de juros (Selic) e a meta do superávit primário de 3,8% para 4,3% do Pro-duto Interno Bruto (PIB) _ o maior dos últimos dez ano. Além disso, citou o aumento feito para as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para as operações de crédito. "Já sentimos um efeito das medidas sobre o crédito às pessoas físicas, que já demonstrou um arrefecimento nos últimos meses", disse. Carga tributária O ministro lembrou das desonerações deste ano com PIS/Cofins e Cide. Nos últimos quatro anos houve redução de R$ 100 milhões na carga tributária. Tal levantamento, disse, faz parte de cartilha a ser divulgada nos próximos dias.