Título: Governo já pensa em revisar projeção para o PIB de 2009
Autor: Monteiro, Viviane
Fonte: Gazeta Mercantil, 04/07/2008, Nacional, p. A4

4 de Julho de 2008 - O novo titular da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, Nelson Henrique Barbosa Filho, disse ontem que o governo pode ser obrigado a revisar a projeção de crescimento da economia para 2009 em decorrência do cenário de inflação. A estimativa oficial de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) é de 5%, mas, segundo o secretário, a taxa pode ser revisada para baixo - algo em torno de 4,5% a 5% no ano que vem. "Acho sustentável (um crescimento da economia) de 4,5% a 5%, mesmo com as atuais pressões inflacionárias oriundas de choques externos e eventuais aquecimentos pontuais de alguns setores." A estimativa revista seria divulgada em agosto, com o envio ao Congresso do Projeto de Lei Orçamentária Anual. Ao deixar a Secretaria de Acompanhamento Econômico (SAE) da Fazenda, o economista Barbosa - que assume o lugar de Bernard Appy, na SPE -, disse que as medidas já adotadas este ano para combater a inflação, como o aumento da taxa Selic e elevação no custo do crédito, já surtiram algum efeito na economia. Dessa forma, diz - fazendo coro ao que disse na véspera o ministro da Fazenda, Guido Mantega -, essas iniciativas são consistentes para promover um crescimento do País da ordem de 4,5% a 5% em 2009. Barbosa explicou que a troca de cadeiras no âmbito da Fazenda - a partir de 21 deste mês, Bernard Appy será assessor especial para Reformas e Mudanças Estruturais da Pasta -, não altera as prioridades da secretaria que ele passa a comandar, mas o foco do acompanhamento no momento é a crise financeira internacional e a inflação. O economista Antonio Henrique Pinheiro Silveira substituirá Barbosa interinamente na SAE. O déficit em conta-corrente (saldo negativo nas operações do País com o exterior) de US$ 14,7 bilhões até maio teve como contrapartida o aumento da taxa de investimento, segundo Barbosa. "A taxa de investimento está subindo. Isso é uma coisa saudável, que garante a sustentabilidade do crescimento. O déficit em conta-corrente pode ser mais problemático quando está financiando mais o consumo. No caso brasileiro, ele está financiando mais a expansão do investimento nos últimos meses", explicou o secretário de Acompanhamento Econômico. Taxa de investimento Ele lembrou que a taxa de investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB - soma de todos os bens e serviços produzido no País - passou de 17,6% ao final de 2007 para 18% no primeiro trimestre deste ano. Segundo dados do Banco Central, o déficit em conta-corrente acumula até maio US$ 14,717 bilhões, resultado impulsionado principalmente pelo aumento das importações em detrimento das exportações, o que reduz o superávit comercial, e pelas remessas de lucros e dividendos de filiais de multinacionais para o exterior. "O consumo também gera importações. Mas hoje o que mais cresce no Brasil são os investimentos. Não temos meta de saldo de conta-corrente, nós temos meta de aumento da taxa de investimento. Isso vem ocorrendo. Se isso ocorrer [aumento da taxa de investimento] com déficit em conta-corrente ou com superávit em conta-corrente, é uma coisa que o mercado, a economia, vai responder. Isso depende da evolução da taxa de câmbio e do crescimento", explicou. Ao lançar a política industrial, o governo Lula estabeleceu como meta uma taxa de investimento de 21% do PIB em 2010.