Título: Estatal e sócia na refinaria dos EUA divergem sobre o negócio
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Fonte: Gazeta Mercantil, 07/07/2008, Infra-estrutura, p. C6

A Petrobras e a Astra Holdings, parceiras com 50% cada na refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, trombaram de frente na gestão da companhia e o futuro do empreendimento vai ser determinado, possivelmente, por processo de arbitragem. A Petrobras, que comprou metade da refinaria em 2006 e já havia manifestado desejo de levar a outra metade, deverá ficar com o controle total do empreendimento, já que a Astra decidiu exercer o direito de sair do negócio. Segundo fonte próxima às conversas, a Astra teria uma visão de curto prazo enquanto a Petrobras planeja seus investimentos visando o longo prazo, "no mínimo 10 anos", reforçou. "São diferentes visões, a Astra é uma trading, não quer se comprometer, o melhor é que cada uma siga seu caminho", disse a fonte à Reuters. A questão agora é o preço, onde entra a arbitragem e também detalhes do contrato entre as duas. A Petrobras informou em comunicado que "o preço a ser pago é estabelecido por um mecanismo determinado contratualmente". A fonte explicou que a arbitragem está prevista justamente para garantir um preço justo. Ele não soube informar no entanto qual seria o valor dos ativos da Astra. A estatal brasileira pagou US$ 360 milhões pelos 50%o da refinaria em 2006, que tem capacidade para processar 100 mil barris diários de petróleo. Por diversas vezes a Petrobras disse que teria interesse em dobrar a capacidade da unidade. Os problemas entre as duas na gestão da companhia não ficaram claros, apesar dos comunicados divulgados pelas empresas. "Após a falta de concordância entre as partes no conselho diretor da entidade, a Transcor Astra Group também exerceu seu direito de colocar para a Petrobras esse ativo", disse a companhia belga NPM/CNP, que controla a Astra. A companhia informou que iniciou processo nos Estados Unidos para proteger seus interesses na companhia, incluindo o direito de vender. Já a Petrobras disse que havia entrado com processo arbitral ainda antes, em 19 de junho, "para resolver problemas relacionados à falha, pelo Transcor Astra, em cumprir com suas obrigações contratuais na operação". A estatal não disse se ficará com a outra metade, apesar de já ter demonstrado interesse nisso e dos altos preços do petróleo favorecerem o negócio. "A Petrobras, através de seus advogados e consultores, está analisando as condições dessa opção de venda do Transcor Astra", informou. A Petrobras já declarou ter interesse em elevar sua participação no mercado de petróleo e derivados dos Estados Unidos.