Título: Preço alto pode acentuar inflação, diz ministro
Autor: Severo, Rivadavia
Fonte: Gazeta Mercantil, 07/07/2008, Infra-estrutura, p. C6
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse sexta-feira que o valor atual do barril de petróleo, na casa dos US$ 140, já está empurrando preço dos alimentos para cima e tem reflexos na inflação brasileira. "Existe o risco do preço do petróleo acentuar a inflação dos alimentos, por causa do aumento no preço dos fertilizantes e dos transportes", enfatizou o ministro, que participou, no mês passado, de reunião entre produtores mundiais do insumo, realizada na Arábia Saudita. Lobão foi convidado para o encontro do petróleo por causa do novo status que o Brasil passou a desfrutar com as descobertas de novas jazidas na costa brasileira, na chamada camada pré-sal, que podem triplicar as reservas brasileiras, atualmente de 14,9 bilhões de barris do óleo. Lobão avalia que o governo está fazendo a lição de casa para conter a inflação, com a política de contenção do crédito praticada pelo Banco Central, com os programas para aumentar a produção de alimentos e com a contenção do gasto público. Lobão afirmou, porém, que, apesar da alta do petróleo, não haverá novos reajustes no preço dos combustíveis neste ano. "O governo não vai aumentar o preço da gasolina", disse, taxativo. Analistas internacionais já prevêem que o preço do barril do petróleo poderá chegar a US$ 250 e o argelino Chakib Khelil, presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), avisou que em setembro deste ano a cotação poderá chegar a US$ 170 por barril. Para o ministro Lobão, o preço do petróleo poderia já estar em US$ 170 por barril se a Arábia Saudita não tivesse anunciado que vai aumentar a sua produção de óleo para dez milhões de barris por dia, para abastecer ao mercado mundial, e comparou o momento atual com a grande crise de 1973. Segundo o ministro, na primeira crise do petróleo, em 1973, a economia do País continuou crescendo, mas gerou distorções que têm reflexos até hoje. "O problema do petróleo hoje é parecido com o de 1973. Naquela época, não houve recessão no Brasil, mas nos endividamos e isso é um problema até hoje", avaliou. O aumento na produção de petróleo do país árabe foi anunciada logo após a reunião de produtores do óleo na Arábia Saudita. A decisão de aumentar a produção por parte do maior produtor mundial eleva a sua oferta diária para dez milhões de barris por dia, uma alta de cerca de 500 mil barris diários, para atender a demanda do mercado mundial que está em alta.