Título: Mais da metade das unidades de conservação não tem fiscais
Autor: Monteiro, Viviane
Fonte: Gazeta Mercantil, 09/07/2008, Nacional, p. A4
Diante da falta de fiscalização de unidades de conservação das florestas brasileiras, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou ontem o que chamou de "pacote emergencial" a fim de melhorar a situação florestal. O ministério vai iniciar em agosto a contratação de mil funcionários para atuar contra os incêndios florestais e o desmatamento. A ação é uma resposta à falta de fiscalização das unidades de conservação. Minc reuniu a imprensa ontem para anunciar um estudo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, em parceria com a pasta, que revelou a existência de 299 unidades de conservação no País, o equivalente a 77 milhões de hectares que representam 8,2% do território nacional, excluindo as reservas indígenas. Mapeamento O mapeamento mostrou que das 299 unidades sob a responsabilidade do Instituo Chico Mendes, 82 (57%) estão sem gestor responsável e 173 não possuem nenhum fiscal preparados para a atividade. Outras 53 não têm planos de manejo (sem zoneamento). Ao falar quase duas horas durante a coletiva, Minc considerou o resultado "triste e inaceitável". Para ele, as medidas são necessárias, mas ainda insuficientes. Surpreendido, Minc destacou que entre 2006 e 2007 houve mais redução de desmatamento nas áreas fora de conservação do que nas unidades conservadas. "De cinco árvores, uma foi derrubada nas áreas de conservação." Ele declarou que parte da deterioração das reservas é provocada pelas pessoas que moram nas regiões que utilizam a madeira ilegalmente como uma alternativa de sobrevivência. A idéia é legalizar as 46,5 mil famílias que residem nas unidades. Para tanto, entre outras prioridades previstas no pacote, a contratação de 52 planos de manejo até o fim de agosto para que as pessoas consigam se legalizar e obter linhas de crédito. Prioridades Segundo o ministro, o pacote atenderá no primeiro momento os Parques Nacionais, as Reservas Extrativistas e as Florestas Nacionais, onde os problemas são mais graves e respondem por 60% da área total. Minc prometeu que todas as unidades terão até o fim de agosto um chefe responsável. Acordo com a Vale Minc acrescentou que assinará um acordo, sexta-feira, com a Vale do Rio Doce, pelo qual a mineradora se comprometerá a não fornecer minério a produtores ilegais de ferro-gusa. A maior parte dos produtores usa o carvão vegetal não certificado para produzir o ferro primário pela qual a maior parte dos compostos ferríferos tem de passar antes de ser transformada em aço. Já no dia 18, Minc assinará uma parceria com a indústria exportadora de madeira para que esta se comprometa a comprar apenas a madeira certificada pelo Serviço Florestal. "Vamos dobrar a previsão de manejo florestal em 2009, de 2 milhões de hectares para 4 milhões. "Vamos trabalhar na linha legal para preservar a floresta Amazônica", declarou Minc, que aproveitou o momento para elogiar a ex-ministra Marina Silva. "Considero que Marina Silva tenha sido a melhor ministra do Meio Ambiente do Brasil e, talvez, a melhor da América Latina". Segundo Minc, Marina conseguiu elevar a questão do meio ambiente a uma discussão em âmbito nacional. Ele destacou que a ex-ministra conseguiu reduzir em 60% o desmatamento em três anos seguidos, entre 2005 e 2007. Entretanto, após fazer a declaração, Minc lembrou dos problemas que a ex-ministra enfrentou. "Mas ela teve dificuldades, tanto que ela pediu para sair (da pasta)", resumiu.